António Tavares
Editorial
O País acordou virado do avesso, no dia 28 de janeiro, devido ao rasto de destruição deixado durante a madrugada pela depressão Kristin.
O vento, com valores que bateram todos os recordes, acompanhado de chuva, arrancou árvores e telhados, derrubou muros e diversas estruturas, entre outras ocorrências, provocando danos materiais de valor elevadíssimo, além de provocar feridos e vítimas mortais.
A resposta das forças de segurança, bombeiros e proteção civil foi pronta e eficiente.
Mas aquilo que se passou na madrugada de 28 janeiro, veio provar que o País não está preparado para situações como esta. É verdade que em certas situações pouco ou nada se pode fazer, mas também não deixa de ser um facto que o alerta para o que estava a caminho de Portugal foi dado com antecipação. No final de contas, o que faltou foi a prevenção. Foi estar preparado para uma situação muito adversa. Nada foi feito e, depois, como e diz na gíria, foi correr atrás do prejuízo.
Não desvalorizando os problemas causados, é bom não esquecer que podia ter sido bem pior. Basta imaginar que a Kristin atingia Portugal não de madrugada, mas de dia, quando milhões de pessoas estão na rua. O grau de destruição seria o mesmo, mas o balanço de feridos e de vítimas mortais, garantidamente seria descomunal, transformando-se numa tragédia.
Seja como for o aviso fica, no sentido que algo tem que ser feito para estarmos melhores preparados, antes e não depois, para reagir, tanto mais que os problemas certamente ainda não acabaram, uma vez que, agora, com muita chuva, a ocorrência de cheias é quase uma certeza.