28 de junho de 2017

Joaquim Martins
CULPADOS? SOMOS TODOS!

CULPADOS? SOMOS TODOS! – As cinzas negras não permitem esquecer a tragédia. Há desolação e luto. Há mágoa e revolta. Vemos, repetitivamente, imagens terríveis de destruição e morte. Mais de uma semana depois, ainda predomina a exploração obsessiva da dor e do sofrimento. As reportagens, salvo raras exceções, são deprimentes e inúteis.
Alguma Comunicação Social aprendeu os nomes de alguns concelhos – Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Góis – e de algumas aldeias do Portugal profundo e anda por lá. Consegue mostrar imagens mas raramente entende o que vê. Não sabe ouvir as pessoas. Não percebe como se vive e luta no dia a dia, no Portugal Interior. Já ouviram falar em “territórios de baixa densidade” mas não conhecem o espaço nem imaginam as distâncias entre as aldeias que avistam de pontos de observação. Espantam-se e não entendem o que fazem os bombeiros. Reconhecem-lhes a coragem e o esforço e já não é mau… Ouvem os presidentes das câmaras que aproveitam o pretexto para se fazerem notados e para se queixarem de não serem ouvidos. Para falarem do abandono e da desertificação… Nas televisões ouvem–se os analistas e comentadores profissionais e que tudo sabem avaliar e julgar, a partir dos estúdios e os “sábios” e “especialistas” que têm soluções e há muito tinham previsto o que veio a acontecer. Quase todos têm certezas. E apontam culpados: Os governantes, claro. Que não ordenaram o território. Nem a floresta. Que não previram. Que não avisaram as pessoas. Que não limparam as bermas das estradas e caminhos. Que não fizeram prevenção. Que não souberam ensinar uma cultura de segurança. Que não têm sistemas de comunicação sem falhas. Que não conseguiram meios de combate eficientes. Que falharam na proteção dos cidadãos. E que continuam a falhar porque não há apoios suficientes…
Procuram-se culpados. Com nome. De preferência ministros ou ex-ministros…Mas a verdade é que somos todos culpados. Do estado do País. Do desrespeito pelas leis. Do abandono do Interior. Do desleixo em relação à floresta. Do egoísmo que “desresponsabiliza”. Da falta de civismo.
Nesta tragédia, que ainda perdura, só uma coisa não falhou. A ajuda solidária. Espera-se que haja capacidade de geri-la e torná-la eficaz. Dava jeito um Marquês de Pombal, perdão, de Pedrógão!

28/06/2017
 

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