Edição nº 1621 - 15 de janeiro de 2020

António Tavares
Editorial

Janeiro é mês de Janeiras, que são uma antiga tradição de cantar pelas ruas, com a finalidade de anunciar o nascimento de Jesus, ao mesmo tempo que se deseja um feliz ano novo.
Uma tradição que já teve uma dimensão muito maior, mas que, mesmo assim, ao longo dos últimos anos tem vindo a reconquistar fulgor, fazendo com que a frias noites de inverno sejam mais quentes ao ritmo musical que não deixa ninguém indiferente.
Para além de ser uma forma diferente de se desejar um feliz ano novo, as Janeiras são, também, um meio de manter viva a memória de um povo, ao mesmo tempo que têm a vantagem de criar o convívio entre os grupos de cantores. Grupos que ao longo das suas caminhadas musicais noturnas vão recolhendo, porta a porta, o que cada um quer dar, para depois fazer a festa ao final da noite.
As Janeiras, que tradicionalmente se cantavam de 1 de janeiro, até ao Dia de Reis, 6 de janeiro, são agora entoadas ao longo de todo o mês, um pouco por todo o País, existindo muitas letras e músicas, sendo a mais conhecida de todas, sem dúvida, Natal dos simples, de José Afonso.
Por isso, até final do mês que seja cumprida a tradição: “Vamos cantar as Janeiras/Vamos cantar as Janeiras/Por esses quintais adentro vamos/Às raparigas solteiras.
Vamos cantar orvalhadas/Vamos cantar orvalhadas/Por esses quintais adentro vamos/Às raparigas casadas.
…
Já nos cansa esta lonjura/Já nos cansa esta lonjura/Só se lembra dos caminhos velhos/Quem anda à noite à ventura.”

15/01/2020
 

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