Alfredo da Silva Correia
POBRE POVO NAÇÃO VALENTE - OS MUSEUS DO CONCELHO DE CASTELO BRANCO
Habituado a gerir, já que fiz a minha vida a administrar empresas, tenho dificuldade em não intervir quando deparo com uma decisão que não me parece muito acertada em termos de gestão, com especial realce para quando se está a gerir a causa pública. Neste âmbito, deparei recentemente num jornal com a notícia de que se iria admitir um Director para o Museu Francisco Tavares Proença Júnior e se, por um lado sinto que tal museu tem de ser bem gerido por ser um património cultural importantíssimo no nosso concelho, por outro, pareceu-me que tal admissão se poderia estar a constituir num erro de gestão, por não ser considerada toda a problemática actual quanto a museus, da nossa Câmara Municipal.
De facto, ao ponderarmos os antecedentes do museu em causa, não é difícil concluirmos que quando era do Estado Central o mesmo tinha um Director e o seu proprietário, o Estado, terá transferido a sua propriedade para a Câmara Municipal, com o objectivo de se ver livre de um encargo que permitia poucos proveitos em função dos custos suportados, procurando assim que a Autarquia o bem gerisse. Neste âmbito, não me parece lógica a nomeação de um Director de um museu com as mesmas funções que os anteriores teriam, quando é sabido que a nossa autarquia investiu, durante as últimas décadas, num conjunto de museus. Assim, não compreendo como é possível insistir-se com o modelo de gestão antigo, nomeando um Director, apenas com as funções que tinha no passado, quando na matéria em apreço é mais do que lógica a concepção de um modelo organizativo que permita maximizar os proveitos inerentes à gestão conjunta de todos os museus do Município.
Desta forma não tenho dúvidas que o nosso concelho só teria a ganhar se fosse concebido um modelo organizativo, que faça a gestão de todos, ainda que o mesmo tenha que ter um organigrama adequado e funções bem definidas para o todo e suas partes. Sem dúvida que este modelo teria de ter um Director que faça a gestão e promoção de todos os museus propriedade do Município, ainda que, cada um deles tenha um responsável presente, mas sempre sujeito à hierarquia do Director de tal estrutura organizativa. Aliás, na minha opinião, esta estrutura poderia ter também como objectivo responder pela promoção turística do concelho, para o que se serviria da vantagem de dispor de um conjunto de museus bens geridos e promovidos a partir de um circuito turístico entre eles, devidamente imaginado e publicitado, até a nível mundial.
Com este objectivo, reitero, o Director deste organismo, que até poderia ser uma empresa Municipal, teria assim não só como função, a de gerir o conjunto dos museus do concelho, obviamente com o apoio dos responsáveis de cada um deles, mas também a promoção turística do concelho, pelo que teria responsabilidades bem definidas, que seriam avaliadas pela evolução do contributo do sector turístico para o PIB do nosso concelho.
Enfim, são ideias, que reconheço, pouco têm a ver com a cultura instalada no nosso Estado, no qual vale tudo menos o de criar modelos organizativos que funcionem de tal modo que permitam criar mais-valias reais à nossa economia. No caso concreto do investimento feito pelo Município em museus, sendo um óptimo investimento, ele só rende de facto, se for bem gerido por um alguém com uma boa sensibilidade não só para os problemas culturais, inerente à cultura dos mesmos, mas também se tiver uma certa apetência pela gestão, não só procurando minimizar os respectivos custos de funcionamento de todos os museus mas, sobretudo, para potencializar os proveitos com a sua promoção, a quem vive do turismo.
Poderá haver quem entenda que todas estas ideias não cabem nas funções do Estado e, no caso concreto, nas da autarquia e eu sobre tal respeito todas as ideias. Não obstante, o que sei é que o nosso país durante as últimas décadas, tem sido encaminhado progressivamente para a cauda da Europa, quando com as potencialidades que tem, se fossem bem geridas, poderia ter um rumo diferente e conseguir melhorar o nosso nível de vida. Compreendo que há muitas razões para que o nosso desempenho económico a nível do país nos tenha encaminhado para a cauda da Europa, mas entre as mesmas não tenho dúvidas que também cabe o facto de não sabermos promover devidamente o que temos e os nossos pontos fortes, entre os quais se destaca o nosso património cultural.
Uma forma de o conseguirmos é a de sabermos ser imaginativos e criativos na concepção do que temos de gerir e no caso dos nossos museus, a verdade é que eles são uma realidade e o museu Francisco Tavares Proença Júnior, agora com o processo de transferência finalizado, tem de ser devidamente integrado na gestão de todos os museus do Município, a fim de que se consigam as devidas economias de escala. Uma boa gestão é fundamental para conseguirmos um bom nível de vida e o aproveitamento devido do nosso património pode dar um bom contributo para que tal aconteça.
Reconheço que são ideias de implementação nada fácil, mas não tenho dúvidas que nada se perde se forem devidamente equacionadas e quer queiramos quer não, hoje Castelo Branco tem um conjunto de museus bem conseguido, sendo fundamental que não se percam as mais-valias que o conjunto deve permitir, mesmo em termos de economias de escala.
(Ex-dirigente associativo empresarial)