Edição nº 1731 - 2 de março de 2022

CULTURA
Novo livro explora obra poética de António Salvado

António Salvado: Da Poesia, ou Teurgia, como a Taumaturgia é o novo livro da autoria de Paulo Jorge Brito e Abreu que, tal como o próprio título indica, incide sobre a obra do poeta Albicastrense António Salvado.
O novo livro é sinal de que a obra poética de António Salvado atraia cada vez com mais insistência a atenção de críticos e historiadores, sendo um livro que pode colocar-se ao lado do longo ensaio de Luís G. Soto, professor catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, também sobre o poeta Albicastrense e saído na revisa Nova Águia: Revista de Cultura para o Século XXI, do Porto.
A nova obra, é assim, um livro singularíssimo na maneira como são abordadas as temáticas Salvadianas e constitui uma tentativa conseguida de captação das mais salientes linhas do poeta.
Em António Salvado: Da Poesia, ou Teurgia, como a Taumaturgia pode ler-se: “Altíssima Metafísica, a Ontologia, por isso, é a irmã da Teologia. E aduz José Marinho: «Filosofia. Ensino ou Iniciação?». E o mesmo indicaremos, o mesmo indagaremos, nós outros, da Poesia, ou Teurgia, de António Salvado, pois quer a Poesia, quer a Teologia são saberes desinteressados, e a Filosofia, para Aristóteles, é a mais universal, desinteressada e gratuita de todas as ciências, - e a Metafísica é a meta, e Metafísica é por isso Filosofia primeira. «Com a Filosofia». Aluz Heidegger, «não se pode fazer nada», não se pode fazer nada no sentido utilitário; poder-se-á fazer muito, embora, no sentido teorético, ou especulativo. Se o saber filosófico, se a poética Palavra, é livre em sua essência, só a Filosofia é, segundo Estagirita, «ciência da verdade» em estrito sentido. E queremos aventar: bem longe e apartado da razão geométrica, na Poesia de Salvado se expecta, esperançoso, o «esprit de finesse». Memoremos, em Minerva, e lembremos Schopenhauer: se o mundo fenomenal é «Maya» para os hindus, e princípio de razão, se encontra e conta, em António Salvado, o Arquétipo, arcano, e arquivo da Ideia – e não estamos, aqui, e mão estamos muito longe do agónico Jung; a «agonia», para os gregos, é «luta nos jogos, combate, exercício em geral», pois é, o argonauta, para o protagonista, e o Reino dos Céus se toma de assalto. Dissertava e acertava o teutónico Hegel: quer a Arte, quer a Religião, quer a Filosofia, são as expressões, ou lugares, do Espírito Absoluto, e queria o Hegel sugerir: na Filosofia, na Religião e na Arte é que vive, o criador, em estado de Graça. E historiemos, nós outros, historiemos a estese: em 1955, se estreava, António, com «A Flor e a Noite» - mas esse verso é criador, é veloz-criacionista, tem a voz e a vez do grande Herberto Helder, agora, um pouco mais atrás: a palavra com que os avitos Romanos traduziram, em Latim, o termo «Theoria», é a deveras «contemplatio». «Theoria id est contemplatio»: assim reza, dessarte, a tradução latina de Peripatético”.
De igual modo, há a destacar: “António Forte Salvado, afinal, qual médium, medical, do Verbo Divino. E se as palavras aflantes, são portadoras de Numes, se a Psicologia, de Salvado, é qual a fala da Alma, ouçamos, caroais e caroáveis, o «Salmo com Gratidão» do nosso Albicastrense: «Louvor à claridade, diáfana, levemente colorida, após o desalento amorfo e confuso da noite interminável, louvor à confiança ilimitada, ardente e exaltante, na boa-ventura da sucessão do tempo, mistério que nos traz agora e que para outro mistério nos leva – e que esse ir e vir seja sempre realizado com amor.». Pois este é o «topos» onde vive a Teologia, ou melhor, «onde possa edificar a casa da poesia». Poeta-porto, poeta-porta, poeta-chave, a chave que nos leva à «Flor Álea» de Alumbrado. Não foi, deveras, o António Salvado, quem dirigiu, coordenou e organizou, em 1972, as «Orações dos Peregrinos Cristãos»?”.

02/03/2022
 

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