Alfredo da Silva Correia
POBRE POVO NAÇÃO VALENTE - O MUNICÍPIO E A SUA GESTÃO
Nunca tive muitas dúvidas que inverter uma cultura construtiva, quando a mesma até está a permitir bons resultados é um erro de lesa-majestade, o que hoje é mais grave por não ser fácil conseguir, nas nossas sociedades, a disponibilidade de bons factores produtivos, com especial realce para a mão-de-obra, devidamente qualificada. Esta observação será, sem dúvida, mais sentida pelos mais conscientes em matéria de apreciação da qualidade da gestão instalada em qualquer organização, seja ela um país, um município, ou mesmo uma empresa privada. Sei que há quem defende que no Estado não há gestão, pois tudo se resolve com meros princípios políticos o que, na minha opinião, é um tremendo erro que tem saído bem caro na nossa qualidade de vida. Efectivamente, não tenho muitas dúvidas, de que a grande diferença nos resultados da evolução socioeconómica de organismos estatais, como acontecerá no meu Município, está no facto da respectiva orientação incorporar ou não princípios puro e duros de gestão, ou se são orientados apenas pelos da política. Quando as decisões incorporam apenas estes, sem consideração daqueles, acaba por se pagar caro, sendo sempre uma questão de tempo. Efectivamente, as orientações políticas incorporam normalmente uma visão do político responsável que se norteia quantas vezes apenas pelos interesses e visão do seu grupo, enquanto a gestão considera a lógica racional do que se está a decidir. A verdade é como o azeite, pelo que acaba sempre por vir ao de cima e ela será o resultado das orientações tomadas, quantas vezes há bastante tempo, sobretudo se elas não nos prepararam para quando as dificuldades se comecem a sentir, como temo nos venha a acontecer nos próximos tempos. A cultura instalada prepara-nos ou não, para enfrentarmos as dificuldades que um dia chegarão não só como resultado de más decisões políticas, mas também da evolução das envolventes socioeconómicas do país, das quais emanam muitas das orientações com resultados nem sempre salutares. Quando elas chegam o sofrimento é sempre muito maior, acabando por chegar as evidências dos erros cometidos com decisões de mera má política, sem consideração das realidades, como tem acontecido tantas vezes na vida portuguesa.
No âmbito destas reflexões considerando a história recente do meu Município, pelo qual tanto lutei, também como dirigente associativo empresarial, temo bem que o que vou observando e o que me vai chegando, à medida que o tempo vai avançando, confirme, infelizmente, os raciocínios que atrás expus, o que pode vir a ser mau para a sua evolução socioeconómica. De facto, as mais recentes decisões políticas tomadas, quer pelos seus actuais dirigentes, quer mesmo pela forma como fomos conduzidos, na qual esteve sempre bem presente apenas interesses políticos, sem consideração de meros raciocínios de gestão, não são indicadores que nos deixem descansados, quanto à sua evolução. É verdade que os seus actuais dirigentes políticos teriam obrigação e interesse em injectar no mesmo bons princípios de gestão e não se deixarem apenas conduzir pela mera política, pois dificilmente teriam a vida facilitada por, para além do mais, terem por detrás uma enorme irracionalidade cometida, que recaiu sobre um projecto que estava a permitir ao concelho bons resultados, bem evidenciados em prémios conseguidos, de âmbito nacional e mesmo internacionais. Não obstante, o que tenho observado é que tudo é feito para se por em causa a boa força produtiva de que o Município dispunha, apenas a partir de princípios políticos, sem consideração dos de gestão, o que muito lamento, pois temo que os resultados não sejam bons. Efectivamente pela 1ª vez desde há bastante tempo, deparo com uma notícia que secundariza o nosso Município, relativamente a outro do distrito, a partir da classificação feita no âmbito do Portugal City Brand Ranking promovido pela consultora Bloom que trabalha a área do turismo, negócios e talento. De facto, já há sinais bem evidentes de que o Município está a ser conduzido por meros princípios de política, sem consideração dos bons princípios de gestão, como de seguida descrevo: 1 - Ganhas as eleições, deveria ser introduzida uma política de apaziguamento da sociedade albicastrense, o que pelas informações que me vão chegando de forma alguma está a acontecer. De facto mantêm-se a errada política da separação e falta de envolvimento de todos, nos interesses a defender para se procurar ser coerente, mas cometendo um tremendo erro de gestão, ao afastar dos problemas do Município toda a boa força produtiva de que dispunha e com a qual teve prémios bem significativos. 2 - De facto, vão-me chegando informações de que muitos dos responsáveis de serviços da Câmara que não estiveram com o PS, aquando das eleições, estão agora a ser fortemente perseguidos pelos actuais eleitos, o que não tenho dúvidas se constitui numa forte tolice de gestão. De facto uma boa, não deixaria de conduzir ao envolvimento de todos na resolução dos problemas do dia-a-dia do Município, para o que seria necessário ser apenas considerado o mérito do respectivo desempenho no alcance dos resultados obtidos e nunca o da sua opção política, o que me parece não estar, de forma alguma, a acontecer.
Como albicastrense responsável e atento que sou, espero assim que o que me parece vou observando não seja a realidade, mas se o for não tenho dúvidas, que este erro de gestão é de tal monta, que não deixará de conduzir o meu Município para perdas de monta, o que levará algum tempo para se tornar bem mais evidente e o que muito lamentarei, se for esse o caso. Assim, que estes meus raciocínios não estejam correctos ou que a política prosseguida resulte mesmo, para o bem de todos, é o que mais desejo. Vamos ver para o que estamos guardados, ou seja qual a futura evolução socioeconómica do nosso concelho, uma vez que muita da nossa qualidade de vida futura, depende muito dela.