Edição nº 1796 - 7 de junho de 2023

Pinhal recebe testes de exploração de resina

Uma parcela de terreno de pinhal, na Freguesia da Isna, no Concelho de Oleiros, está a ser laboratório de testes para a viabilidade de extração da resina. Uma atividade que teve grande dinâmica até ao início da década de 80 do século passado, no Concelho de Oleiros.
O projeto está a ser desenvolvido por um consórcio constituído por 37 entidades, liderado pelo Forestwise – Laboratório Colaborativo para Gestão Integrada da Floresta e do Fogo. A entidade responsável pelo desenvolvimento dos ensaios é a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Maria Emília Silva, que é investigadora do departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagística da UTAD, afirma que “ Oleiros não podia ficar de fora deste projeto, pela experiência que aqui ainda encontramos de pessoas que trabalharam na extração da resina, pela excelência do pinhal bravo que aqui existe”.
Dia 18 de maio foram resinados os primeiros 60 pinheiros de um total de 200 que integram o projeto que se estende até 2025. Para que isto seja possível, nesta área de pinhal da Isna em estudo foram retirados os resíduos de combustível.
Marco Ribeiro, presidente da Associação Nacional de Resineiros e responsável pela Raízes In, com sede em Vila Real, recorda que Portugal chegou a ser líder mundial na produção de resina até aos anos 80 do século passado, para salientar que “estamos novamente no ciclo de tendência positiva por causa das questões ambientais, pela procura de matérias naturais, entre outros aspetos”.
O projeto tem como objetivo aperfeiçoar também as técnicas de exploração de resina. Por exemplo, estão a ser estudados novos recipientes que possam impedir a entrada de resíduos como pó e agulhas dos pinheiros, para a resina. Neste momento recorre-se as sacos de plásticos que são agrafados ao tronco do pinheiro. Foi isso que fez José Silva, antigo resineiro na zona da Isna, que não resinava desde 1998 e que realçou que “comecei muito novo neste trabalho e é um gosto voltar a ver que há interesse”.
Miguel Marques, vice-presidente da Câmara de Oleiros, destaca a importância do projeto e o que ele poderá significar para os proprietários, mas também para a boa gestão da floresta, ao avançar que “a exploração da resina pode vir a representar um rendimento para os proprietários”. Segundo Marco Ribeiro, este rendimento pode atingir os 300 a 400 euros por hectare/ano e não interfere na qualidade da madeira no momento da venda.
Miguel Marques vê com bons olhos o desenvolvimento deste projeto em Oleiros, “terra onde ainda existem antigos resineiros, homens e mulheres, que podem transmitir às novas gerações a mestria de resinar o pinheiro”.
A falta de mão de obra é um problema detetado pela Associação Nacional de Resineiros que pretende, depois do verão, formar cerca de 120 resineiros.
A par de Oleiros, estão a decorrer ensaios em parcelas de pinhal em Vila Pouca de Aguiar, Nazaré, Cantanhede e Amareleja.

07/06/2023
 

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