Edição nº 1802 - 19 de julho de 2023

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

UMA QUASE UNANIMIDADE atravessou por estes dias a nossa classe política e os comentadores residentes nos media. Questionou-se a ação do Ministério Público (MP), ao pôr na rua mais de uma centena de agentes, para passar a pente fino a sede do PSD e a residência de Rui Rio, na qualidade de ex-Presidente social-democrata.
Como é sabido, o desencadear da operação resultou de denúncias anónimas, julga-se que saídas de dentro do próprio partido, sobre uma eventual utilização fraudulenta de verbas atribuídas para pagar assessores parlamentares, e que serviriam efetivamente para pagar salários a funcionários do partido. A crítica ao MP reside no facto de que aquilo que aparece como móbil da investigação, ser uma prática transversal a todos os partidos e que se encontra vertida na lei. E acrescenta-se que a lei é tão clara que nem se justifica ser clarificada. Num caso em que notoriamente não há delapidação de recursos públicos, a crítica maior é a da desproporcionalidade dos meios utilizados para entrar na casa do antigo líder e na sede do partido, bem como a recolha de material informático e telemóveis. E o que já é habitual nas operações desencadeadas pelo MP, há ainda e mais uma vez, a fuga de informação que tornou a operação um espetáculo mediático.
Sobre o assunto, que contem alguns aspetos gravíssimos, por implicar o maior partido da oposição e um ex-líder e deputado, de tal forma que o Presidente da Assembleia, Augusto Santos Silva, se sentiu na necessidade de vir comentar o incidente, estranha-se que a Procuradora-Geral da República, Lucília Gago, não considere necessário vir dar uma explicação aos portugueses sobre a operação desencadeada por um MP que parece mostrar algum desnorte e que, juntando este caso a outros recentes, leva a que possa mesmo ser acusado por alguns de ter uma agenda política.
Uma operação que merece críticas da generalidade dos atores políticos, à exceção da extrema direita parlamentar, Iniciativa Liberal e Chega. Esta ideia que se cria de que todos os políticos são corruptos e de que andam cá para se amanhar, cai que nem ginja nestes partidos que fazem do populismo a sua razão de existência e crescimento. Como dizia Rui Rio na entrevista que deu à SIC, se sobre estas práticas abusivas do MP, os políticos não tiverem coragem de dizer basta, um dia alguém vai dizer chega.

19/07/2023
 

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