Nas Bancas à 4ª feira
Facebook
 

Edição:

| Ano |

Error parsing XSLT file: \xslt\NTS_XSLT_Menu_Principal.xslt

Edição nº 1808 - 6 de setembro de 2023

PRODUTO ENDÓGENO DÁ NOME A CERTAME E A ROTUNDA
Lardosa orgulha-se de ser a capital do feijão-frade

A Lardosa tem como imagem de marca o feijão-frade, também conhecido por feijão-pequeno. De resto esta leguminosa está ligada à história da Freguesia, como o prova o facto de no seu brasão apresentar precisamente o feijão-frade, a par do loureiro que está na origem do seu nome. A produção de feijão-frade é uma tradição da Freguesia, quer pela quantidade, quer pela qualidade e, por isso mesmo, para quem chega à Lardosa, logo à entrada da localidade se depara com a Rotunda do Feijão-Frade, onde este está em destaque, não sendo de referir que também conta com a tradicional Feira do Feijão-Frade.
Tudo isto é referido pelo presidente da Junta de Freguesia da Lardosa, José António Dâmaso, ao realçar que “o feijão-frade é a marca de excelência da Lardosa”, pelo facto de “ser ali produzido”, sendo de destacar “a qualidade do próprio feijão, que os terrenos lhe dão”.
José António Dâmaso adianta que “há feijão-frade produzido em muita parte”, mas assegura que o da Lardosa “é o melhor. Principalmente a variedade cara verde, que tem uma cozedura muito mais fácil e um gosto diferente, em comparação a qualquer outro feijão”, pelo que, avança, “temos encomendas do País todo e até para o estrangeiro já temos mandado feijão”.
Apesar da variedade cara verde ser a mais conhecida e produzida, a produção, não se limita a esta, uma vez que há a juntar o feijão-frade cara preta e o feijão-frade bago de arroz, sendo que “este pode ser semeado em baixas, em zonas mais frescas”, tratando-se de um feijão que “precisa de mais mão de obra, porque é um feijão mais miudinho. Daí ser habitualmente vendido a cinco euros o litro, enquanto o cara verde é a quatro”.
O que José António Dâmaso não deixa de ter em atenção é que a produção tem sofrido um decréscimo ao longo do tempo, porque “os produtores estão muito envelhecidos e o feijão exige muito cuidado, desde o tratamento das terras à sementeira, passando pela colheita”. Nesta matéria acrescenta que “os produtores têm setenta e muitos anos e sem descendentes que queiram dar continuidade é difícil, até porque mandandoo fazer tudo fica muito caro. Ou seja, se a sementeira for feita pelo agricultor, mesmo pagando a colheita, compensa. Mas como os produtores estão idosos, como têm que pagar mesmo tudo, quatro euros por litro é pouco”.

Criar a Região
Demarcada
do Feijão-Frade
Para dinamizar e manter viva a tradição do feijão-frade foi criada a Feira do Feijão-Frade, com José António Dâmaso a recordar que “na primeira edição começamos com oito produtores, atualmente só há quatro”.
A este problema, este ano, há a somar outro, porque “a produção será mais baixa, uma vez que o feijão não cresceu bem. O feijão não precisa de água, mas a terra tem que ter alguma fresquidão e isso não aconteceu este ano, porque o calor foi muita na hora dele crescer”.
A colheita, segundo adianta, “terá início a partir do dia 15 deste mês”, para avançar que “a média de produção anual, de todos os produtores juntos, anda à volta dos 30 a 40 mil litros. Nos anos mais fracos pode ir para metade, o que poderá acontecer este ano”.
Tanto mais que há ainda “o problema de haver muitos pombos, que vão à procura do feijão”.
Tudo isto leva José António Dâmaso a falar num “sonho, que é criar uma Região Demarcada do Feijão-Frade”. Para isso seria necessário “criar uma associação, para criar a imagem do Feijão-Frade da Lardosa, mas com a pouca adesão dos agricultores há dificuldade em criar essa associação e cada ano que passa é cada vez mais difícil, devido à diminuição de agricultores”.
José António Dâmaso revela que “já foram feitas algumas disposições”, para reiterar que “o primeiro passo será criar a associação, mesmo que a Junta de Freguesia tenha que estar por trás”.
Por outro lado, levanta a possibilidade da “associação não ser só de agricultores de feijão, mas também de outros setores, como, por exemplo, de produção de animais, para se ter pessoal suficiente”.
Tudo isto tendo igualmente em consideração que “à Lardosa se poderia juntar Vale da Torre. Alcains, Lousa, Póvoa de Rio de Moinhos, Escalos, Soalheira, Zebras, Orca, porque só com pessoal da Lardosa é difícil criar a associação”.
José António Dâmaso defende que “a associação era uma maneira de procurar ajudas para a sementeira e mesmo para a apanha, por exemplo, com uma máquina. Daí a ideia da associação”, acrescentando que por outro lado “a associação também permitiria procurar apoios à produção, uma vez que a ajuda, mesmo por pequena que seja, é importante”.

O feijão-frade
à mesa
Refira-se que o feijão-frade é um alimento saudável e é essencialmente uma boa fonte proteica, repleto de proteínas de elevada qualidade, também reconhecido pelo grande teor em fibras solúveis, bem como por apresentar uma boa quantidade de ácido fólico. Mais que rico em vitaminas, o feijão-frade é rico em minerais, como o potássio, o fósforo, o ferro, o magnésio e o zinco.
O feijão-frade é simples de confecionar, pois apenas é suficiente cozinhá-lo em água, podendo ser servido como um acompanhamento, ou adicionado a sopas, saladas ou ensopados. Isto sem esquecer a vertente da doçaria, com os pastéis de feijão-frade.
Na área da culinária José António Dâmaso recorda que, “antigamente, o feijão-frade era colocado em cima de umas chicórias migadas e era assim que era comido”, sendo que “quando não havia verdura era colocado em cima de uma fatia de pão e regado com azeite, com cebola picada, e era consumido sem qualquer acompanhamento”.
Tradicionalmente, continua, “o feijão-frade cozido também era comido com sardinha assada e, mais tarde, com a melhoria de vida, com bacalhau assado ou com atum em conserva”.
E, relembra, “nada era desperdiçado, pois, quando sobrava era refogado com enchido”.
O menu, no entanto, não fica por aqui, uma vez que “há também a tradicional sopa, que é a Sopa das Bichas. Com a vagem do feijão, que este dá mais tarde, depois de ser apanhado, ou seja, com as vagens depois da primeira camada, faz-se a Sopa das Bichas”.
O feijão-frade é também utilizado na doçaria, mais concretamente nos pastéis de feijão-frade.
Para dinamizar esta área da culinária, José António Dâmaso revela que a edição deste ano da Feira do Feijão-Frade contará com um concurso de salgados e de doçaria, sendo que os produtos apresentados serão avaliados por um júri e haverá prémios.

Feira realiza-se
de 5 a 8 de outubro
A edição deste ano da Feira do Feijão-Frade decorrerá de 5 a 8 de outubro, como habitualmente no recinto de festas da Lardosa, mas com uma novidade, uma vez que o certame “será alargado até à Rua da Piscina, onde ficará instalado o palco e insufláveis para as crianças, sendo que assim haverá mais espaço para as pessoas”.
Para além disso, José António Dâmaso avança que “também com a finalidade de haver mais espaço para as pessoas, haverá dois parques de estacionamento em terra batida, pelo que quem vier da Estrada Nacional 18 (EN18) ou da Variante encontrará placas com indicação dos parques onde poderá estacionar os carros”.
José António Dâmaso recorda, por outro lado, que “a Lardosa sempre teve esta feira anual. Era a Feira das Sementes, com todo o tipo de leguminosas, que se realizava em setembro. Quando fomos eleitos para a Junta de Freguesia, no primeiro mandato, decidimos mexer um pouco com a Lardosa e, daí, termos reativado esta temática e nasceu a Feira do Feijão-Frade, em 2005. Desde então, não se realizou apenas dois anos, devido à pandemia de COVID-19, pelo que vamos para a 16ª edição”.
Como habitualmente a Feira do Feijão-Frade, entre outras atividades, contará com um passeio pedestre e outro de bicicletas antigas. Para este último as inscrições estão abertas até dia 15 de setembro e não haverá limite de inscritos, com a novidade que contará com “um reabastecimento de grelhados e uma prova de queijos, enquanto o almoço será tipo piquenique”.
Já depois da Feira do Feijão-Frade este produto foi também eternizado com a denominada Rotunda do Feijão-Frade, que é a antiga rotunda de acesso da EN18 à Lardosa e à Autoestrada da Beira Interior (A23).
Inaugurada em 2019, a Rotunda do Feijão-Frade, que segundo José António Dâmaso “é uma ideia brilhante e bem conseguida”, tem a escultura de um feijão-frade em pé, contando no espaço verde com outros feijões-frade, assumindo-se como um local de homenagem ao produto endógeno mais importante da Freguesia.
A Rotunda, no entanto, com o passar dos anos, e devido a ser utilizada por muitas pessoas para tirar fotografias, sofreu alguma deterioração, principalmente ao nível dos feijões que rodeiam a escultura. Por isso, José António Dâmaso revela que aquele espaço vai ser alvo de “uma requalificação”.
António Tavares

06/09/2023
 

Outros Artigos

Em Agenda

 
20/09 a 03/03
A Viagem Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco
13/10 a 31/03
Aroma, ritual e terapiaMuseu Municipal de Penamacor
25/11 a 07/04
Tarde Azul, o Universo Amoroso de Julio/Saúl DiasMuseu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco
13/12 a 28/03
tituloNoticia
08/03
Dia Internacional da MulherCentro de Dia da Associação de Apoio Social Freixial do Campo
01/03 a 29/03
Garrafas de Outros TemposBiblioteca Municipal de Penamacor
05/03
António Salvado Da palavra, o fruto - antologia da prosa Biblioteca Municipal António Salvado, Castelo Branco

Gala Troféu Gazeta Atletismo 2022

Castelo Branco nos Açores

Video