Edição nº 1850 - 26 de junho de 2024

ENTRE CASTELO BRANCO E MORALEJA
Autoestrada da união

“Queremos ouvir o barulho das máquinas”. É assim que o porta-voz do Movimiento Social Ciudadano MSU-Norte Extremadura, Francisco Martín, resume o que se pretende para o troço entre Castelo Branco, Portugal, e Moraleja, Espanha, que falta para a conclusão da ligação por autoestrada entre as duas capitais da Península Ibérica, Lisboa e Madrid.
A afirmação foi proferida na passada quarta-feira, 19 de junho, no Centro de Formação do Meio Rural, em Moraleja, no decorrer do I Encontro Ibérico da Aliança Territorial Europeia (ATE) – Norte de Extremadura & Beira Baixa, que teve como objetivo impulsionar a ligação entre Castelo Branco e Moraleja por autoestrada e durante o qual foi assinada a ata de constituição da ATE.
Refira-se que dos 590 quilómetros que separam Lisboa e Madrid, atualmente, é possível percorrer 518 quilómetros, ou seja, 88 por cento da distância. Este percurso inclui a A5, desde Madrid até Moraleja, e a EX-A1, bem como a A23 e a A1, entre Castelo Branco e Lisboa.
Em resumo, da distância total entre Lisboa e Madrid falta apenas construir 12 por cento da via, qualquer coisa como 72 quilómetros, entre Castelo Branco e Moraleja.
No Encontro, que contou com mais de 100 participantes dos dois lados da fronteira, o alcalde de Moraleja, Julio César Herrero, realçou que a passada quarta-feira, 19 de junho, era “um dia histórico, para completar um projeto que tem mais de 20 anos”, fazendo questão de destacar que em causa está um objetivo que “não tem cor política. Tem a cor da esperança”.
Julio César Herrero adiantou que para “2025 existe já uma verba de 50 milhões de euros, para o primeiro troço desde Moraleja até à fronteira”, para sublinhar que “o projeto está terminado. O que queremos é o início das obras”.
O autarca espanhol referiu também que se pretende que na Cimeira Ibérica a realizar a 23 de outubro deste ano o desejo “é que o processo seja fechado entre os governos espanhol e português”, pois “é hora de dar resposta a um a reivindicação das populações dos dois lados da fronteira, que é imprescindível para a atração e fixação de empresas, a criação de empregos, a promoção turística e a inversão da tendência de despovoamento que se verifica no Interior dos dois países”.
Julio César Herrero acrescentou que as duas regiões enfrentam um desafio demográfico urgente”, pelo que, defendeu, “necessitamos de estradas dignas, porque queremos continuar a viver aqui”.
Também o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, afirmou que este foi “um dia histórico, em que Portugal e Espanha se une num objetivo comum, que é concluir uma obra que faz muita falta”.
Leopoldo Rodrigues garantiu que no respeitante aos autarcas da zona raiana “do lado português e espanhol facilmente chegamos a um entendimento, para reivindicar um projeto importante para todos nós”. Tudo para que “com esta força, com esta união”, se alcance a finalização de um projeto, “para uma região que tem os mesmo direitos que o resto da Europa”.
O autarca chamou a atenção para “o facto de termos começado há cerca de dois meses e hoje termos este movimento significativo da importância que isto assume, apontando como objetivo “a valorização deste território, o seu desenvolvimento e a igualdade de oportunidades, numa Europa que se quer desenvolvida e onde todos devem ter os mesmos direitos e as mesmas oportunidades”.
Por outro lado, elogiou “a coragem de quem persiste em viver nestes territórios de baixa densidade”, para reiterar que a finalidade “é completar os pouco mais de 10 por cento que falta entre Lisboa e Madrid”. Uma ligação que “as pessoas anseiam há muitos anos”, ou seja, “este é um desejo baseado na vontade das gentes”.
Na mesma linha, o presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto, focou-se no objetivo de “trazer o Oceano Atlântico para mais perto da Extremadura, de Madrid”, frisando que “em toda a Europa esta é a fronteira menos desenvolvida” e, daí, a importância de, “todos juntos, com esta Aliança desenvolvermos esta fronteira, nas vertentes económica, social e cultural”.
Armindo Jacinto assegurou que “esta autoestrada é muito importante para desenvolver esta fronteira”, garantindo que “não é uma questão política. Não queremos uma autoestrada porque queremos ter, ma porque esta é a fronteira menos desenvolvida da Europa”.
Armindo Jacinto referiu-se à ATE como “um primeiro passo para trabalhar em conjunto. Primeiro a autoestrada e, depois, tudo o que se segue nos mais variados setores” e aproveitou para chamar a atenção para “a importância de projetos conjuntos, uma vez que a fronteira não tem que ser negativa”.
Por seu lado, o porta-voz do Movimiento Social Ciudadano MSU-Norte Extremadura, Francisco Martín, falou num projeto “de todos e para todos”, sendo que “conseguimos os grandes projetos quando trabalhamos juntos, sem cor política”.
Francisco Martin avançou que “queremos que o eixo peninsular exista”, sendo que “levamos mais de 20 anos e ainda faltam troços, na Extremadura, são cerca de 20 quilómetros, entre Moraleja e a fronteira, e em Portugal são cerca de 50, entre Castelo Branco e a Termas de Monfortinho, a fronteira”.
Afinando pelo mesmo diapasão, o presidente da Diputación de Cáceres, Miguel Ángel Morales, afirmou que “é fundamental desenvolver a fronteira na Europa Interior, esta Europa abandonada muito tempo”. Daí a importância de “acabar definitivamente a autoestrada”.
Miguel Ángel Morales denunciou que “se esta zona tivesse três ou quatro milhões de habitantes não havia problema”, para defender que “esta zona seja apoiada e não seja qualificada em função do número de habitantes”, ou seja, “a igualdade de vida para todos os cidadão, onde quer que vivam”.
Uma posição também defendida pelo presidente da Diputacíon de Badajoz, Miguel Ángel Gallardo, ao afirmar que “aqui temos unanimidade no objetivo, no traçado, de o por em marcha para ter igualdade de oportunidades”.
Miguel Ángel Gallardo, referindo-se à importância desta ligação, deixou o compromisso de “servir de ligação e apoio com o Governo de Espanha”, bem como “nas relações com o governo vizinho, de Portugal”, por que esta via “é uma oportunidade para a competitividade”, tendo com consideração que “é importante uma Europa coesa, que não se pode mover apenas onde estão os núcelos maiores, com mais população. Há que dar uma oportunidade para reforçar a população e nos projetos estratégicos devemos estar todos juntos”.
Refira-se que para dia 21 de outubro, está marcado o II Encontro Ibérico da Aliança Territorial Europeia (ATE) – Norte de Extremadura & Beira Baixa, que se realizará no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB).
Antes disso, dia 23 de setembro, na Nazaré, realizar-se-á uma reunião que tem como objetivo atrair para a Aliança outros municípios da Região Centro de Portugal.
A ata de constituição da Aliança Territorial Europeia (ATE) – Norte de Extremadura & Beira Baixa define a constituição da Aliança Territorial Europeia (ATE) – Norte de Extremadura & Beira Baixa “amparada na legislação de associações de Espanha, Portugal e Europa e com domicílio partilhado entre Espanha e Portugal”.
Os objetivos prioritários da ATE são “reclamar das administrações públicas de Extremadura e Portugal que se iniciem o quanto antes as obras pendentes da autoestrada entre Moraleja e Castelo Branco; reclamar do Governo de Espanha, do Governo de Portugal, da Junta de Extremadura e das administrações locais de Extremadura (ayuntamientos, diputaciones e mancomunidades; do resto de Espanha e dos distritos de Castelo Branco, Portalegre, Santarém e Guarda, que apoiem o início das obras da ligação por autoestrada de Moraleja a Castelo Branco; ter uma Aliança forte, de compromissos efetivos com a sociedade civil, as associações, organizações empresariais, sociais e as administrações locais, para dar visibilidade a todo o território, localidade, comarcas, províncias e distritos deste novo eixo de Madrid a Lisboa, como destino de atração de empresas, emprego de qualidade, de turismo sustentável e de luta contra o despovoamento, com fundamento do impulso do Oeste Peninsular. Um destino para viver, visitar e inverter; reclamar dos governos de Espanha e de Portugal que nas cimeiras ibéricas anuais se introduza a agenda das reuniões de desenvolvimento deste novo eixo internacional de Madrid a Lisboa pelo Norte da Extremadura e Beira Baixa, com todo o tipo de infraestruturas viárias, tecnológicas, turísticas, culturais, formativas, de emprego e de acolhimento de organismos nacionais, ibéricos e internacionais”.
Na ata de constituição ficou também definido que “no II Encontro Ibérico para impulsionar a autoestrada de Moraleja a Castelo Branco, que se realizará no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), dia 21 de outubro deste ano, serão aprovados os estatutos e a junta diretiva, que se anexarão a esta ata de constituição”.
António Tavares

26/06/2024
 

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