COM HOMENAGENS E MUITA ANIMAÇÃO
Freguesia comemora 175 anos
A Junta de Freguesia de Castelo Branco organizou, no passado sábado, 20 de julho, no recinto da Nossa Senhora de Mércoles, as comemorações do Dia da Freguesia, às quais se juntaram também os da Cidadania, das Coletividades e das Merendas.
Comemorações que proporcionaram um dia repleto de atividades, que tiveram como momento alto a homenagem à cidadania e às coletividades.
No início da cerimónia, o presidente da Junta, José Dias Pires, recordou que a Freguesia de Castelo Branco tem 175 anos e destacou as suas particularidades. Em primeiro lugar apontou o facto de ser uma das maiores do País, em termos populacionais e territoriais. Enquanto em segundo lugar destacou o facto da Freguesia “ter o maior número de associações, organizações e instituições que trabalham para os seus vizinhos”.
José Dias Pires afirmou que, “na Freguesia, defendemos, desde o primeiro dia, que somos aquilo que fazemos”, para adiantar que “desde o primeiro dia, o Dia da Freguesia pretende celebrar a cidadania coletiva e individual e dá-la a conhecer”, com a finalidade de “conhecer e reconhecer aqueles que vivem para nós”.
Daí surgir a iniciativa de homenagear duas instituições, mais concretamente a Escuderia Castelo Branco (ECB), coletividade sobre a qual recordou, entre outros pontos, que foi “fundada em 1964”, sendo “um dos clubes portugueses mais antigos com alvará para desporto automóvel”.
Motivos que levaram à entrega do Troféu Cidadania Honorário, o qual o presidente da Direção da Escuderia, João Lucas, deixou um “obrigado” e fez questão de “agradecer à Junta de freguesia por tudo o que faz por todos nós, pela cidade e o apoio à Escuderia”, para concluir que “muito nos honra esta distinção”.
Igualmente distinguido com o Troféu Cidadania Honorário foi o Orfeão de Castelo Branco, com José Dias Pires a recordar que “foi fundado em 1957, mas as suas origens remontam a 1930, tratando-se de um ex-libris cultural do Concelho de Castelo Branco”.
O presidente da Direção do Orfeão, Daniel Martins, manifestou “o orgulho desta homenagem”, e sublinhou que a “Junta de Freguesia e a Câmara de Castelo Branco são os suportes do Orfeão”.
Já como Cidadão Honorária da Freguesia de Castelo Branco foi distinguida Adelaide Salvado, com José Dias Pires a realçar que “a pessoa que vamos homenagear não queria. Temos pena, não queria, mas merece”. Isto para de seguida se focar nas várias obras publicadas por Adelaide Salvado, que é natural de Vila Franca de Xira, e entre outros aspetos se referir “ao currículo e exemplo de cidadã dedicada”.
Adelaide Salvado que agradeceu “profundamente emocionada esta distinção” e adiantou que “vivo em Castelo Branco desde finais da década de 70 do século passado. Sou Ribatejana, mas amo esta cidade. Terra onde o meu marido nasceu, viveu e muito amou”.
Com o Troféu de Tributo à Cidadania foi homenageado José Manuel Castanheira, com José Dias Pires a recordar o longo percurso do “arquiteto pintor e cenógrafo Albicastrense”, sublinhando que “quem conhece a marca dos eus trabalhos, sabe sempre que José Manuel Castanheira é Albicastrense”, referindo-se-lhe como “um exemplo de ilustre cidadão que nunca esquece as suas origens”. Pelo meio, José Dias pires recordou ainda que José Manuel Castanheira ofereceu à sua cidade O Voo da Cegonha que, relembre-se, integrou todos os dias a peregrinação da Expo’98.
José Manuel Castanheira agradeceu a distinção com um “muito obrigado” e confessou que “é um bocadinho difícil para mim, com alguma emoção, dizer o que quer que seja”. Mesmo assim, referiu-se à “Rua dos Combatentes da Grande Guerra, número 21. Foi ali que nasci”, para mais à frente “as cidades, a comunidade, a cidadania significam uma grande responsabilidade, feita com muita matéria, que tem a ver com o funcionamento da memória”. Tudo, para assegurar que “a Rua dos Combatentes da Grande Guerra continua a ser a minha rua, com o prédio que já não existe pintado de verde” e confessar que “na minha obra esbarro sempre com a memória do lugar de onde venho, a minha raiz”.
Presente a cerimónia, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, felicitou a Freguesia pelos 175 anos e avançou que “alguns questionam a freguesia que coincide com a sede de Concelho”, para garantir que a “Freguesia de castelo Branco faz todo o sentido”.
Leopoldo Rodrigues que, depois, se focou no “ato de cidadania, consideração dos nossos cidadãos, das nossas instituições”, com os olhos nas duas instituições distinguidas, bem como nas duas personalidades.
No que respeita a Adelaide Salvado destacou “a estudiosa, que não tendo nascido em Castelo Branco, adotou Castelo Branco como a sua terra” e garantiu que “conhece, como poucos, a nossa terra, ou não fosse geógrafa”.
Já em relação a José Manuel Castanheira sublinhou que “a sua obra é reconhecida nacional e internacionalmente” e tal como José Dias Pires abordou a questão de O Voo da Cegonha, considerando “a pena de não se ter conseguido recuperar a sua intervenção na Expo’98”. Matéria em relação à qual questionou se ainda será possível proceder á sua recuperação, deixando essa hipótese em aberto.
António Tavares