Edição nº 1867 - 30 de outubro de 2024

Sofia Lourenço
MAIS LUSOFONIA... DE UM SONHO A UM PROJETO CONCRETIZADO...

Uma associação muito jovem com objetivos muito vincados, esta é a definição da Mais Lusofonia. Surge de um grupo de amigos com um único objetivo, ser útil de alguma forma. Começamos pela recolha de bens alimentares, vestuário, brinquedos, e a entrega efetuada nos arredores de Castelo Branco. A identificação das necessidades foi aumentando e o grupo cheio de ideias, visualiza conseguir chegar a mais destinos. Eu, sem medos de enveredar por outras fronteiras, sigo para Santiago, Cabo Verde, em buscar de algo mais, de cruzar o oceano e, falando a mesma língua, perceber o que seria possível. Conheci a Fazenda Esperança, uma instituição que acolhe rapazes que, em algum momento das suas vidas entraram por caminhos da dependência química. Sem qualquer julgamento percebi que cada um sabia onde “aperta o sapato” e a necessidade, sem condições confortáveis, queriam melhorar e superar. Tudo faz falta por lá, a terapêutica se resume no trabalho de subsistência e a oração, incrivelmente liderada por um sacerdote, o padre Ronaldo, que talvez nem se aperceba da fragilidade que vive mas, o certo é que a taxa de sucesso é quase total... Aí vi que realmente “a fé move montanhas”. Também tive a sorte de conhecer as Aldeias SOS, uma instituição muito organizada e disciplinada com o pouco que contam. A D. Paula, com o seu sorriso rasgado e olhar doce, cuida de tudo, ou quase tudo e as crianças, ai as crianças, são um futuro com pouca esperança, mas alguma ainda há, de um dia saírem dali e conseguirem ter uma profissão, uma casa, uma família de verdade. Obviamente que contar é emocionante mas viver, viver é inexplicável e, sim, a cabeça veio cheia de planos.
E rumo a Portugal, trouxe na mala várias ideias e dúvidas como poderia ser concretizado tanta obra, primeiramente sem dinheiro e depois como chegaria no destino.
E começa a aventura... eventos dos mais variados formatos, almoços, jantares, caminhadas diurnas e noturnas, enfim, tudo que vinha a cabeça com um único objeto, conseguirmos angariar bens e fundos para ajudar as duas instituições. E assim foi, materiais escolares, brinquedos, vestuário, materiais de construção, e lá fomos nós, em grupo de 20, fazer as entregas. E que bem que nos sentimos, todos com o pensamento que levamos um pouco de nós mas trouxemos muito mais.
Ano seguinte, com uma projeção muito mais abrangente, com mais uma missão na calha mas, com uma nova necessidade, dar nome, dar corpo, a um projeto que já era conhecido cá e lá, sem qualquer ambição extra, mas sim com a intenção de termos um nome único para sermos chamados e, Mais Lusofonia foi o escolhido, não só unidos pela língua, com nacionalidades diversas mas também, dar a possibilidade de chegar perto de mais pessoas, mais países que apenas se comunicam igualmente mas com sotaques diferentes.
Como todos os membros desta grande família partilham do mesmo sentimento, não foi difícil de os convencer, e desta vez uma iniciativa muito mais audaciosa, um contentor de 40 pés, ou ainda melhor, mais de 10 toneladas de material, de construção, escolar, roupas, calçados, brinquedos, colchões, bicicletas, frigoríficos, entre outros.
Além dos bens, levamos dança, música e formação, desta vez com mais um alvo, a Ilha Brava, um diamante em bruto, repleto de dificuldades, longe de tudo mas com “uma matéria humana” de uma qualidade sem igual, pessoas genuínas que do pouco ou nada, transmitem uma gratidão imensa (uma qualidade que vem se reduzindo a cada dia em lugares desenvolvidos de muitas coisas e subdesenvolvidos de outras).
E como Ousadia é o apelido da Mais Lusofonia, os planos da nossa 4ª Missão Internacional já estão “no forno” mas nunca nos descurando da nossa missão nacional, afinal as dificuldades começam mesmo ao nosso lado e, cabe a nós estarmos atentos. Neste momento estamos preparando o Natal de muitas famílias, um dos nossos objetivos, dar dignidade e sorrisos às crianças que não tem a felicidade de ter um brinquedo oferecido pelos pais nesse dia. Temos o orgulho de dizer que tudo o que conseguimos até aqui é fruto de todo esse trabalho voluntário, não só dos membros da nossa associação mas também de todas as pessoas que se identificam e acreditam que é possível, secada um de nós fizer a sua pequena parte, um sentimento tão puro que faz toda a diferença que, a cada dia vemos o quanto o ser humano, através de desculpas sem fundamento, continua olhando apenas para o seu próprio umbigo.
E é tão fácil, basta querer...
Afinal “não viemos ao mundo para fazer sombra”.
(Presidente Associação Mais Lusofonia)

30/10/2024
 

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