Edição nº 1913 - 24 de setembro de 2025

ESQUERDA LIVRE APRESENTA CANDIDATOS
Mário Camões defende projeto político libertário

A Coligação Esquerda Livre, formada pelo partido Livre, Bloco de Esquerda e independentes, apresentou, no passado sábado, 20 de setembro, na Biblioteca Municipal António Salvado, os cabeças de lista à Assembleia Municipal, à Câmara e à Junta de Freguesia de Castelo Branco, nas eleições Autárquicas de 12 de outubro.
O candidato à Câmara, Mário Camões, centrou a atenção na mobilização popular nacional convocada para o dia 20 de setembro, pela Rede Emergência Florestal/Floresta do Futuro. Uma iniciativa “inserida num movimento global dirigida a povos do Mundo para que tomem as rédeas do futuro, combatam a destruição ambiental e responsabilizem aqueles que lucram à custa da destruição”, realçando que “queremos fazer a nossa parte, a começar no nosso município”, apontando para a tríade “deseucaliptar, descarbonizar e democratizar”.
O candidato compromete-se a deseucaliptar, “transformando as paisagens de monocultura desértica do Concelho, carregadas de povoamentos florestais inflamáveis, onde mal se ouve um passarinho, numa paisagem rica em biodiversidade autóctone e beleza estética que nos orgulhe”.
Por outro lado, quer “colocar a agroecologia no centro de um desenvolvimento económico estratégico alternativo, alavancando recursos naturais autóctones como a bolota de azinheira, para transformação alimentar; as propriedades únicas da esteva, para a indústria cosmética natural; a valorização do azeite de qualidade superior com extração a frio, biológico; e a introdução do cânhamo para a bioconstrução”.
Medias que considera possibilitarem a criação de “centenas de postos de trabalho rurais dignos e sustentáveis, fixando agricultores, pastores e sapadores florestais em todas as freguesias”.
Na mesma linha defende a “criação de postos de trabalho industriais descentralizados; um comércio justo para quem produz; dar uma oportunidade ao desenvolvimento de um turismo de natureza sustentável e comunitário, com trilhos pedestres”, sem esquecer “uma rede de alojamentos e restauração comunitários que mantenham a riqueza gerada nas freguesias rurais”.
Já no que se refere à descarbonização o compromisso vai para a liderança da “criação da mais ambiciosa e inclusiva comunidade energética renovável do País que beneficie todos, mesmo aqueles que não têm telhado próprio, com energia renovável mais barata, produzida comunitariamente, de forma descentralizada e em solo urbano, que nos livre de projetos massivos do pseudo-capitalismo verde destruidores da natureza e subordinados apenas aos interesses de alguns”.
A isto acrescenta desenvolver “o mais corajoso plano municipal de compostagem do País e com ele gerar energia através dos nossos próprios resíduos”, bem como apostar numa “mobilidade eficiente com mais transportes coletivos acessíveis e eletrificados; uma plataforma de boleias comunitária que torne a Uber obsoleta; e uma rede ciclável que não exista apenas para Inglês ver”.
Por seu lado, a estratégia de democratizar pretende “garantir que os Albicastrenses são senhores de si mesmos, que estão no comando dos destinos desta transformação e não apenas espectadores de um compadrio entre interesses económicos privados e partidários”.
Mário Camões focou-se de seguida no facto de haver “tanta casa vazia e tanta gente sem casa”, para defender que “é no acesso à habitação que começa a dignidade, e por isso, comprometemo-nos a por a habitação pública municipal no centro da nossa agenda e combater a especulação imobiliária, mais focada em lucrar com o investimento estrangeiro, que em cumprir um direito fundamental dos Albicastrenses a uma casa própria para viver”.
Por tudo isto, Mário Camões sublinhou que “apresentamo-nos, não com um programa eleitoral, mas com um projeto político libertário virado para o futuro, agregador de vontades progressistas que não se conforma com o definhar da nossa terra, e que não tem vergonha de sonhar com um Mundo melhor, a começar em Castelo Branco”.
Na apresentação, que contou com várias intervenções, a candidata à Junta de Freguesia, Inês Antunes, afinando pelo mesmo diapasão, falou numa “candidatura como alternativa de esquerda, progressista, ecológica. Uma alternativa de futuro” e no que respeita a projetos deu o exemplo de “pegar numa rua mítica, a Rua de Santa Maria, com a Casa do Forno e a Casa do Arco do Bispo, embora esta já não seja na Rua de Santa Maria e dotá-la de comércio e recuperar ofícios perdidos”.
O candidato à Assembleia Municipal, Virgílio Bernardino, também fez questão de destacar “as listas repletas de cidadãos, muitos independentes”, para assegurar que “isso é muito importante para nós”.
De caminho, aproveitou para denunciar que “sentimos que Castelo Branco está encurralado”, apontando o dedo “aos senhores que nos trouxeram até este marasmo e nalguns casos quase retrocesso”.
António Tavares

24/09/2025
 

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