Edição nº 1927 - 31 de dezembro de 2025

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

ESTES APONTAMENTOS serão os últimos de 2025. Seria aceitável aproveitar o momento para fazer o balanço do ano, habitual na maioria dos jornais e revistas. Mas como cada um toma o balanço que melhor o aprouver, vou-vos poupar a esse exercício intelectualmente frustrante e pouco prazenteiro, porque de facto o ano de 2025 não ficará na história pelas melhores razões. Passando por termos Trump apenas há um ano na Casa Branca, transformada em Casa Dourada, um ano que parecem muitos anos, tal foi a rapidez com que a maior democracia do Mundo se tem aproximado de uma autocracia iliberal. Passando por cima deste momento de distopia que se poderá amenizar com as próximas eleições intercalares para o Senado e Câmara dos Deputados, será mais interessante partilhar uma brevíssima reflexão prospetiva: o que poderemos esperar de 2026?
No final, no balanço do ano, de certeza vamos descobrir que falharam grande parte das previsões que agora se fazem. É normal querer fazer dos nossos desejos, a realidade. Haverá guerras a terminar, outras a começar e ainda as que, como a de Gaza, terminaram apenas no papel. A mais mediática, aquela que nos está mais próxima e mais afeta os europeus, a da Ucrânia, vai terminar muito provavelmente por estes dias ou semanas. Mas não da forma como desejaríamos, pois tudo indica que o agressor, Putin, será premiado. Porque Trump parece ter pressa em juntar mais uma, às oito ou mais guerras de que ele se vangloria ter já resolvido. Em 2026, a Europa terá de enfrentar com firmeza e com as mesmas armas, o seu antigo aliado. Assumir a sua própria defesa, defendendo uma solução de paz duradoira, que não passe pela humilhação da Ucrânia, que o será também para a Europa. Que envolva a soberania territorial ucraniana, a retirada das tropas russas, garantias de segurança e reconstrução. Todo um plano que vai ser difícil de implementar.
Como a Figura Nacional do Ano, o semanário Expresso escolheu imigrante, uma personalidade coletiva. São um milhão e meio de homens e mulheres, a viver entre o discurso anti-imigração da direita radical e (é importante lembrar) o suporte da economia e da natalidade. Palpita-me que o tema da imigração se vai diluir um pouco. Foram consideradas inconstitucionais parte significativa das duas leis, sobre imigração e nacionalidade, que refletem a aproximação do governo à agenda do Chega, moeda de troca para atrair o seu eleitorado e que agora terão de ser remendadas, para passarem no crivo do TC. Vamos entrar num período de acalmia eleitoral depois das eleições para a presidência da República. Na segunda volta, a previsível presença de André Ventura será uma espécie de “abono de família” para o outro candidato, que terá vitória garantida. Depois, sem eleições à vista, vão-se arranjar outras bandeiras, certamente mais consensuais, grandes obras públicas, por exemplo.
E resta-me desejar aos leitores da Gazeta do Interior um bom ano de 2026, na certeza de que nos vamos continuar encontrar neste espaço. Os nossos leitores sabem que é nos jornais, neste ou noutro qualquer, que encontram a informação mais credível, e que não é seguro considerar que tudo o que vem à rede (social) é peixe (verdadeiro)...

31/12/2025
 

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