Edição nº 1931 - 28 de janeiro de 2026

Biblioteca Municipal António Salvado: A Inutilidade e o Absurdo de uma Petição Pública

Em 2023 foi atribuído o nome de António Salvado à Biblioteca Municipal de Castelo Branco, em consequência de uma decisão tomada em Assembleia Municipal, pela Câmara Municipal de Castelo Branco. Decisão comunicada oficialmente pelo Sr. Presidente da Câmara por ocasião de uma sessão de homenagem a Eugénio de Andrade em que tive a honra de participar.
Esta decisão que ocorreu sem qualquer intervenção da família ou dos amigos de António Salvado e que na altura os surpreendeu gratamente foi tomada naturalmente pela edilidade para homenagear a obra poética de dimensão nacional e o mérito do percurso cultural de António Salvado. O que deu azo à contestação de um articulista em sucessivos artigos no jornal Reconquista, aos quais fui respondendo. Primeiro defendendo o nome e a obra do meu Pai, aí atingidos de modo gratuito e grosseiro, tentando denegrir a sua imagem e depois defendendo o meu próprio bom nome e o valor da minha obra igualmente atingidos pelos insultos, o que deu azo a uma queixa-crime por mim entregue na Polícia Judiciária de Lisboa.
Já num dos seus primeiros artigos, esse mesmo articulista ameaçava promover uma Petição, invocando a precedência do nome de Jaime Lopes Dias nesta atribuição e a existência de um falso e ridículo complot da família e amigos de António Salvado, que nunca existiu, e que estaria na base da mais do que justa escolha do poeta para a Biblioteca Municipal da cidade que tanto honrou com o seu extraordinário percurso poético e cultural. A todas essas falsas acusações pude responder atempadamente acentuando a legitimidade da decisão da Câmara Municipal de Castelo Branco e o facto de que só quase duas décadas depois da suposta atribuição do nome de J. L.D. à Biblioteca Municipal de Castelo Branco é que o dito articulista se lembrou de contestar violentamente o nome de António Salvado. Sendo que nem em 2007 se manifestou, nem a sua família, com a inauguração do novo edifício, e sem que nessa data e até 2023, houvesse qualquer vestígio da atribuição agora invocada.
Nesse contexto tomei há uns dias conhecimento de uma petição pública intitulada “Pela Reposição da Biblioteca Municipal Dr. Jaime Lopes Dias” sobre o assunto em causa, com um texto obviamente conduzido por esse mesmo articulista. O que é verdade e aí se refere, é que lhe foi atribuída uma sala no antigo edifício da Biblioteca Municipal e que a atribuição do seu nome para a Biblioteca nunca foi oficializada.
No mínimo curiosa, para não dizer sintomática, é a omissão da data da doação do espólio de Jaime Lopes Dias à B. M. de C. B. no histórico sobre a mesma que consta do citado texto da Petição, constando por outro lado a referência à doação em 1864, que a inaugurou, do espólio “de um rico acervo bibliográfico do médico José António Morão” a partir da qual “se pode falar da criação de uma biblioteca pública de Castelo Branco”.
E qual o motivo desta inexplicável omissão que tem vindo a ser invocada como motivo central dessa atribuição? A resposta pode ser simples e diz respeito à questão em causa. Porque nunca em parte alguma de Portugal ou do mundo, uma doação, a não ser que seja exclusiva, é razão para a atribuição do nome do seu doador ao edifício. E neste caso havia a considerar uma outra doação de peso.
Cumpre ainda recordar, e insistir que não se acha explicação para que a suposta atribuição a Jaime Lopes Dias que terá vigorado até 2004, não tenha sido retomada com a inauguração do novo edifício em 2007, nem sobretudo para que a sua Família e o seu atual arauto de eleição tenham esperado para se manifestarem e protestarem a este respeito, quase 2 décadas, até 2023, com a decisão da escolha do nome de António Salvado! Ou antes a explicação já a dei anteriormente. Parece óbvio que o empenho da atual defesa é não a do nome de Jaime Lopes Dias, mas impedir por todos os meios esta distinção para António Salvado, da cidade à qual dedicou o melhor do seu percurso literário e cultural.
O absurdo de uma falsa polémica
A razão para a referida distinção é o mérito e o prestígio nacional da obra e do percurso de um autor, que a Câmara Municipal de Castelo Branco, reconheceu no caso de António Salvado, por sua exclusiva iniciativa, e repito, sem qualquer intromissão da Família ou dos amigos, ao contrário do que falsa e repetidamente tem vindo a afirmar o articulista, com a reiterada e absurda defesa de uma grotesca teoria do “complot”. O que bem sabe, ou não teria começado esta disparatada e suposta “polémica” por vergonhosamente denegrir o valor do percurso cultural e poético de António Salvado.
Aliás nunca existiu tal polémica, o que teve lugar da sua parte, foi um despejar continuado de insultos e ofensas, das quais a mais grave é a do perpetrar e da defesa de um roubo de que me acusa, sendo que o dito cujo “roubo” é uma vez mais atribuído e publicamente à Câmara Municipal de Castelo Branco, a quem compete esclarecer e de uma vez por todas, também publicamente, esta situação, que entre os vários lesados, põe também em causa o seu bom nome. A quem uma vez mais apelo nesse sentido.
Não se trata da “violência moral e cultural mais indecente do século XXI”, nas palavras ridículas do articulista, mas trata-se agora efetivamente por parte da Câmara Municipal de Castelo Branco de pôr cobro à violência moral e cultural, efetivamente indecente, que um suposto defensor da cultura e da memória, levando atrás de si um cortejo de incautos e de mal informados, no contexto da inanidade de uma Petição, está a infligir à dignidade de António Salvado, figura maior da Cultura da cidade de Castelo Branco e nacional.
Gonçalo Salvado, poeta

28/01/2026
 

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