Edição nº 1932 - 4 de fevereiro de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

AINDA NA RESSACA da maior catástrofe climática de que temos memória e de que há registo, e quando tantos milhares de portugueses ainda lutam por aceder às condições mínimas que permitam algum regresso à normalidade e à segurança a que todos temos direito, esta não será a melhor altura de se fazer o balanço final e quanto possível objetivo da forma como se enfrentou um desastre que ultrapassou tudo o que fora pré-anunciado.
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, foi honesta quando disse que estava ainda a aprender. Lamentavelmente, nem a ministra nem as estruturas governativas, aprenderam nada com as várias situações extremas vividas em 2025. Foram os grandes incêndios que tornaram negra as nossa belas paisagens e chamuscaram o governo; foi o grande apagão, algumas horas de vazio energético que paralisou o País económico e pôs em causa a capacidade dos serviços de emergência médica; foi o temporal, que nos últimos dias de outubro afetou em especial a região de Lisboa. E agora a depressão Kristin, que trouxe chuva e ventos que sopraram a 200 quilómetros por hora, e destruíram grande parte do País, devastaram em particular o distrito de Leiria, e também Castelo Branco.
Com os canais de notícias a transmitir em looping imagens dramáticas da catástrofe e relatos pungentes de quem a viveu, dispenso-me de descrever os resultados. Mais importante será refletirmos sobre o que não se aprendeu das experiências anteriores e lembrar que a emergência climática, que só os negacionistas (e há alguns dentro do governo) não reconhecem, vai tornar infelizmente mais frequentes estas manifestações extremas de calamidades. Mais uma vez, a falta de planeamento e prevenção resulta na intervenção do governo, com alguns dias de atraso em ação reativa, a correr atrás do prejuízo, talvez porque não houve a perceção imediata da extensão da catástrofe.
Felizmente que a emocionante solidariedade da sociedade civil, trouxe o conforto possível de bens alimentares, roupa e materiais aos muitos milhares de afetados, grande parte ainda sem eletricidade, água e comunicações. Assim se colmatou a ausência das entidades que, parece, faziam trabalho invisível nos gabinetes e filmes de propaganda para as redes sociais. Cinco dias depois, reuniu-se o governo em Conselho de Ministros extraordinário. Tudo o que se tenha decidido sobre o apoio às populações e às empresas é bom, mesmo que alguns considerem não suficientes. Mas não quero deixar de referir que a criação da Estrutura de Missão, chefiada por Paulo Fernandes, é um bom caminho para o processo de reconstrução das áreas afetadas, com a garantia de competência do antigo autarca do Fundão.
Que nos futuros e previsíveis desastres naturais o planeamento permita um imediato e eficaz apoio às populações e seus bens. Para que não tenhamos, como dizia um amigo meu, um Portugal nas lonas.

04/02/2026
 

Outros Artigos

Em Agenda

 
24/01 a 28/03
Well-being SceneryGaleria Castra Leuca Arte Contemporânea, Castelo Branco
06/02
Do Barro ao Som – Homenagem a CargaleiroMuseu Cargaleiro, Castelo Branco
12/02
A Experiência da PoesiaBiblioteca Municipal António Salvado, Castelo Branco

Gala Troféus Gazeta Atletismo 2024

Castelo Branco nos Açores

Video