Valter Lemos
JOGOS DE GUERRA…
O século XXI tem sido marcado por crises sucessivas de várias naturezas. O recente ataque dos EUA e de Israel ao Irão continua e intensifica essa sucessão de acontecimentos críticos que têm vindo a conduzir grande parte do mundo para elevados níveis de incerteza. As consequências desta situação já começaram, mas, estamos ainda longe de prever todas elas, designadamente no campo económico e financeiro, para além da dimensão geopolítica.
Na verdade, o regime iraniano era (ou ainda será…) um dos mais cruéis e opressores da história moderna. Já em artigos anteriores tive oportunidade de me referir e esses aspetos. Nunca é de mais criticar a violência e crueldade com que o regime teocrático iraniano trata os seus próprios cidadãos e designadamente as mulheres. Na última onda de repressão sob o próprio povo o regime matou largos milhares de pessoas indefesas. A violentação, tortura e até morte de mulheres por não usarem o véu islâmico é comum nas dezenas de anos de existência do regime.
Assim ninguém que se guie pelo reconhecimento dos mais elementares direitos humanos, poderá defender um regime desta natureza. Este regime não merece respeito.
Dito isto, a intervenção norte-americana, neste momento, abre muitas dúvidas. Na verdade, o próprio Trump e os seus colaboradores têm tido alguma dificuldade em justificar a iniciativa. Desde a inviabilização de armas nucleares, passando pela queda do regime, pela defesa de Israel e outros países da região, pela defesa dos seus aliados europeus e asiáticos, diversas razões têm sido apresentadas e nenhuma é inteiramente justificável. A inconsistência política de Trump parece manifestar-se mais uma vez, aumentando muito o nível de risco no mundo.
Na verdade, desde que Trump é presidente os EUA já atacaram a Venezuela e o Irão, já ameaçaram diversos outros países, alguns até seus aliados, já provocaram um enorme aumento dos orçamentos militares e crescimento dos níveis de armamento, inclusive nucleares, de muitos países. O mundo está já muito mais armado do que quando Trump iniciou funções.
Curiosamente Trump tem usado o argumento de crescimento das intervenções militares, em grande parte para defender aliados. Nesta intervenção voltou a referir uma hipotética defesa da Europa, porque a mesma estaria à mercê dos misseis balísticos do Irão. Mas, no respeitante à Ucrânia, esta sim mesmo na Europa, a lógica parece ter sido mesmo a contrária, pois a retração do apoio militar americano reforçou a posição da Rússia e a ameaça desta não só à Ucrânia, mas, também, à Europa (que agora diz querer defender do Irão!?).
Ainda não é previsível o fim desta guerra com o Irão. Este tem estado a responder e não saberemos quanto tempo vai durar esta situação. Será que a resistência do regime do Irão vai permanecer? Será que Trump vai ainda chegar a um acordo que lhe dê alguma vantagem material (petróleo ou outros) e o tirânico regime iraniano se mantém (como na Venezuela)?
Será que Putin e Xi se mantêm quietos?
Seja como for estamos claramente em tempos de jogos de guerra e o mundo dirigido por esta gente continua a ficar cada vez mais perigoso.