Edição nº 1938 - 18 de março de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

POR ESTES DIAS, as redes sociais, os jornais e os programas televisivos de passadeira vermelha e assuntos cor-de-rosa, estiveram ao rubro a discutir o vestido que Margarida Maldonado de Freitas, a primeira-dama, usou no dia da investidura de António José Seguro. Antes de continuar, é bom que se diga, à maneira de certo partido, que isto não é a América. No nosso desenho constitucional não cabe a figura de primeira-dama (que inclui gabinete, orçamento próprio e assessores), apenas cabe no nosso imaginário coletivo. E pela amostra, imagino que Margarida há de ter respirado de alívio porque, para além de algum evento especial em que seja importante acompanhar o Presidente, seu marido, ela vai continuar na sua linda e pacata cidade (gosto das Caldas da Rainha) a vestir a bata branca de farmacêutica.
A indignação jorrou sobre as redes sociais: que era uma vergonha a senhora usar um vestido Valentino tão caro, quando o povo passa fome, houve até quem sugerisse que tinha sido às custas dos contribuintes; que deveria ter comprado produto nacional, numa loja tradicional, imagino que os indignados nacionalistas o façam, nada de ir às grandes cadeias multinacionais, cruzes canhoto. Pior ainda, o escândalo de ter trocado os originais botões Valentino do vestido que comprou com o seu dinheiro, por bonitas e portuguesíssimas filigranas de corações de Viana, alegando violação de direitos de autor. No meio destes sonoros disparates é de realçar que foram os elogios que dominaram. Para além da empatia, a elegância e a simplicidade de Margarida, tal como a da filha, venceram a batalha da opinião pública. Mas disto, o que ficou bem clara é a nossa especial e generalizada competência em discutir o têxtil.
Também ficou claro que são muitos, cada vez mais, os que canalizam os seus furiosos estados de alma para assuntos desta magna importância. As questões como a crise humanitária em Cabo Delgado, Moçambique, destruição e morte de civis inocentes em Gaza ou as escolas bombardeadas por americanos no Irão, com a morte de quase duzentas crianças, os bombardeamentos contínuos no martirizado Líbano, que em oito dias fez mais de um milhão de refugiados, tudo isso são minudências. Até ao dia em que os estilhaços da guerra nos atingem, com os preços dos combustíveis nas bombas de gasolina a tornarem-se uma bomba destrutiva do nosso modo de viver, nas idas ao mercado e nas taxas de juro. Porque Netanyahu, que andavam há mais de 30 anos a tentar convencer os presidentes americanos a entrarem nesta aventura de destruir o Irão, encontrou em Trump o seu idiota útil.
Todas as guerras se sabe como começam, muito poucas sabemos como acabam. A “guerra” do vestido de Margarida sabemos que acaba no caixote do lixo das idiotices; a guerra no médio oriente, quando quem a começou não tinha ideia de como seria o day after… resta-nos esperar que o pior, mesmo pior, não aconteça e que alguém tenha a coragem democrática de colocar o idiota no caixote do lixo da História, com uma etiqueta: Cuidado! Lixo tóxico.

18/03/2026
 

Outros Artigos

Em Agenda

 
24/01 a 28/03
Well-being SceneryGaleria Castra Leuca Arte Contemporânea, Castelo Branco
11/02 a 30/04
RequintinhaCentro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova
tituloNoticia
21/03
A Paixão de CristoIgreja Matriz da Sertã
22/03
Um Conto JaponêsCentro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova
06/03 a 10/04
Mulheres que inspiramBiblioteca Municipal de Penamacor

Gala Troféus Gazeta Atletismo 2024

Castelo Branco nos Açores

Video