NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Comemorações do Dia da Cidade recheadas de recados
A sessão da Assembleia Municipal que na passada sexta-feira, 20 de março, comemorou os 255 anos da elevação de Castelo Branco a cidade, foi recheada de recados.
Uma particularidade que começou logo com a primeira intervenção, a do presidente da Assembleia Municipal, Valter Lemos, ao referir-se a momentos importantes como, por exemplo, a construção da Zona Industrial e a criação do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB).
Assim, nesta matéria, recordou que “há 25 anos reclamei aqui, nesta Assembleia, a transformação do Politécnico em Universidade Politécnica”, para destacar que “foi precoce para os lentos e brandos hábitos do País. Mas o momento está a chegar. Numa decisão que teve tanto de pacóvia como de ridícula, a Assembleia da República aprovou, há alguns anos, o uso dessa designação, mas só em inglês. Mas vamos ver se os deputados da República abandonam finalmente essa visão e atitude Queirosiana sobre o País e se colocam no tempo certo, quando da futura aprovação do novo regime jurídico do Ensino Superior”.
Valter Lemos sublinhou, depois que “a aliança entre o Politécnico e a autarquia Albicastrense ajudou a potenciar o crescimento e o desenvolvimento de Castelo Branco no final do século XX e início do século XXI”.
Frisou, logo de seguida que “os anos 90 do século passado e os primeiros anos deste século foram anos dourados da cidade e do Concelho de Castelo Branco. Além do desenvolvimento do Politécnico com novas escolas superiores e novos públicos, muitas outras ações tiveram lugar como o crescimento da zona empresarial, a recuperação e abertura de novos espaços urbanos, a abertura de novas avenidas, a implantação de novas empresas, a recuperação urbana das freguesias e das ligações interterritoriais, entre muitas outras”.
Isto, para denunciar que “por diversas vicissitudes a aliança entre a autarquia e o Politécnico perdeu intensidade e intenção no quadro de uma sucessão de crises de caráter económico e político, quer no plano nacional e internacional, mas também no plano local. Assim aos efeitos negativos da crise económica nacional e internacional, acresceram efeitos políticos e institucionais locais que desgastaram fortemente a relação entre as instituições e quebraram alianças estratégicas indispensáveis. Tudo isso fez perder tempo, espaço e dinâmica ao Concelho de Castelo Branco”.
Salienta, no entanto, que “a autarquia tem feito um notável esforço para ultrapassar tal quadro de negatividade e repor a cidade e o Concelho no trilho do desenvolvimento desejado”, exemplificando que “no mandato atual estão projetadas um conjunto de obras e estruturas, em vários domínios, que terão significativo impacto no seu desenvolvimento. É verdade que, ainda muito recentemente, uma tempestade inesperada colocou novos e graves problemas à cidade e à Região, mas a capacidade de resposta e iniciativa da Câmara e de várias juntas de freguesia, por todos reconhecidas, mostraram a atitude que precisamos de ter para enfrentar os problemas”.
Valter Lemos defendeu que “temos de ser protagonistas do nosso desenvolvimento. Não podemos esperar que sejam os outros a preocuparem-se com os nossos problemas e as nossas expectativas, por mais próximos que sejam. Devemos ser nós a preocupar-nos com essa tarefa e a definir a estratégia que nos convém. Para isso precisamos de cooperação estratégica entre as instituições e entre os principais atores”. Por isso, continuou, “torna-se agora necessário pedir à autarquia que redobre os esforços, mas pedir também às instituições, quer o Politécnico, quer a todas as outras, que se insiram, de forma ativa, num quadro de cooperação estratégica com a autarquia”. Tanto mais que “o tempo que aí vem é de grandes incertezas. O Mundo está com níveis de instabilidade política, social e económica como não se conheciam há muitas décadas. A emergência de novas crises é altamente provável. As comunidades vão necessitar de coesão e de capacidade de iniciativa e rotatividade”, chamando a atenção para que “quem tiver maior coesão resistirá melhor às crises e quem tiver maior identidade estratégica terá mais sucesso nas soluções a adotar e expectativas mais conseguidas” e concluir que “a cidade e o Concelho de Castelo Branco querem positividade nas expectativas e afirmação nas realizações”.
As intervenções continuaram com João Ramos, do Movimento Pessoas em Primeiro (PEP), ao realçar que “as freguesias têm um papel preponderante e decisivo no Concelho” e alertou que “para que as freguesias possam continuar a acrescentar, têm que ser apoiadas”, até porque “quanto mais força e dinâmica tiverem as freguesias, mais forte será a cidade e o Concelho”.
As comemorações, para António Moreira, do Chega, são “um momento marcante na história da cidade”, apontando para “uma cidade moderna, dinâmica e cheia de história, como é hoje”.
Também António Fonseca, da Iniciativa Liberal (IL), não poupou nos elogios, ao afirmar que “Castelo Branco é uma cidade fenomenal, acima de tudo pelas suas pessoas”.
António Fonseca afirmou que “muito foi feito nestes 255 anos, mas é óbvio que há sempre coisas para fazer, a melhorar” e noutra vertente destacou que “desde os Censos de 2021 perdemos sete por cento da população”, para sublinhar que “há agora sinais de recuperação, devido aos fluxos migratórios”. E com isto voltou às pessoas, tendo em consideração que “sem pessoas não há economia. Sem economia não há riqueza e sem riqueza as pessoas vão embora”.
António Fonseca denunciou, por outro lado, que “Portugal continua centrado numa grande metrópole, Lisboa”, sendo que os restantes Portugueses “são tratados com distância, secundarização e, muitas vezes, com desrespeito. O sistema trata os eleitores do Interior como cidadãos de segunda”. Algo que “é urgente mudar”, pois o “problema continua por resolver, porque não há vontade para o mudar”. E ainda com as pessoas no centro das atenções, reforçou que “a principal riqueza de Castelo Branco são os Albicastrenses. São essas pessoas que fazem com que esta terra seja espetacular”.
As pessoas estiveram também presentes na intervenção de Alzira Serrasqueiro, do Partido Socialista (PS), ao afirmar que “este é um momento de memória, de responsabilidade presente e futura, mas celebramos também as pessoas e as instituições que ajudaram a construir a cidade”, sendo que “Castelo Branco é uma cidade de história longa e uma identidade firme”.
Ainda com foco nas pessoas, Maria José Rafael, da Coligação Sempre Por Todos, avançou que “celebrar o Dia da Cidade é, acima de tudo, celebrar as pessoas”, pelo que “hoje é dia de agradecer a quem deu o seu contributo para engrandecer Castelo Branco”, dando como exemplo “o contributo dos últimos quatro presidentes de Câmara, César Vila Franca, Joaquim Morão, Luís Correia e José Augusto Alves”.
Maria José Rafael assegurou que “a cidade se mede, sobretudo, pela qualidade das suas pessoas. Uma cidade forte é aquela que sabe unir-se para enfrentar os problemas”, referindo-se em concreto aos danos provocados pelo mau tempo, e rematou que “uma cidade sem jovens, é uma cidade que perde futuro e, por isso, mantê-los é, talvez, o maior desafio”.
Na última intervenção da sessão, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, deu destaque aos danos provocados pela depressão Kristin, ao avançar que “os estragos continuam bem presentes e o caminho para a reconstrução e recuperação total será certamente longo”, aproveitando para agradecer a todos os que estiveram envolvidos na resposta à emergência. Nesta matéria, com a atenção focada no plano estratégico, deixou um apelo à mobilização coletiva e ao apoio institucional, reconhecendo que “o essencial do trabalho de reconstrução passará pelas nossas mãos”. Contudo, sublinhou que “não podemos ficar reféns da burocracia ou da falta de financiamento dos mecanismos nacionais e europeus”. Tal posição serviu para Leopoldo Rodrigues assegurar que “não aceitaremos que o Interior seja deixado à sua sorte, sobrecarregado com responsabilidades, sem o devido acompanhamento, apoio e financiamento. É por isso que, mais do que nunca, precisamos do empenho de todos” e reforçando “o compromisso inabalável” do Executivo Municipal, afirmou que “o foco total está em reconstruir e fazer com que Castelo Branco continue a afirmar-se e a crescer”.
Leopoldo Rodrigues, depois de destacar a aposta estratégica em investimentos diferenciadores, dando vários exemplos, terminou a intervenção com uma mensagem, ao sublinhar que “seria um erro olhar para esta tragédia meramente como um obstáculo, devemos enfrentá-la como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento. As maiores adversidades, quando enfrentadas com determinação, podem converter-se nas maiores oportunidades”.
António Tavares