Edição nº 1943 - 22 de abril de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

POR ESTES DIAS, na CNN, acompanhámos o “debate” que resultou do desafio de Pacheco Pereira a André Ventura a esclarecer a verdade sobre algumas das afirmações de Ventura que apontavam para menor perseguição política antes da “miserável Revolução de abril” (palavras dele). A iniciativa dividiu a esquerda, lamentando que esta tenha sido mais uma oportunidade para o líder populista, continuar a assentar arraiais no mundo mediático e sair por cima no pretenso debate. Como se esperava, a estratégia dele, de interromper e insultar, sempre em tom belicista, não permite qualquer debate civilizado. Pacheco Pereira já o sabia, mas preferiu mesmo assim partir para a luta e confrontar o mentiroso com as suas mentiras. Mesmo sabendo que não iria fazer alterar as posições dos cheganos, e confirmando que o discurso de Ventura, seja em que situação for, acolhe sempre apoio junto das suas hostes. Mas Pacheco Pereira considerou, e muito bem, que já é tempo de confrontar Ventura, como temos de não ser condescendentes com Trump e outros candidatos a autocratas. Porque isto tem de ser feito antes que seja tarde, antes que capturem a Democracia.
Mas aos seus apoiantes, aos que defendem que antes do 25 de Abril é que era bom, há que lembrar-lhes que é a liberdade de informação e de expressão, conquista de abril, que lhes permite dizer ou escrever o que pensam, mesmo que sejam as coisas mais esdrúxulas. Eles não sabem nem querem saber que a palavra PROIBIDO fazia parte do quotidiano português. Quando era proibido ler, ver ou ouvir tudo aquilo que não partilhava os ideais do regime ditatorial. Quando se vivia no terror de cair nas malhas da polícia política para ser preso, torturado e julgado em tribunais plenários por delitos de opinião. Quando a mulher não podia sair do país ou exercer uma profissão, que não fosse a de doméstica, sem autorização escrita do marido. Quando as professoras não se podiam casar com um homem que ganhasse menos que ela ou que não apoiasse o regime vigente, com o casamento, sob estas condições, autorizado por publicação em Diário do Governo. Quando a mulher estava proibida de sair à noite, sozinha. Quando um casal de namorados não se podia beijar na rua. Quando apenas pouco mais de dois milhões de portugueses podiam votar, direito esse que não era reconhecido às mulheres. Se antes de abril era tão bom viver em Portugal, porque é que em pouco mais de 10 anos um milhão e meio de portugueses resolveu emigrar?
É bom que os saudosistas do 24 de abril e as novas gerações atraídas pelo canto das sereias do populismo o saibam e decidam se gostariam de viver num País assim, vigiado por mais de mil agentes da PIDE e 20 mil informadores, vulgo bufos.
Mas foi bonito vivenciar nos tempos logo a seguir ao 25 de Abril, a participação ativa da população na vida política, a descoberta dos valores da liberdade de um povo que tinha uma das mais altas taxas de analfabetismo da Europa, uns avassaladores 25 a 30 por cento nos maiores de 15 anos (censos de 1970), talvez até de valor superior no nosso Distrito, com uma população predominantemente rural e envelhecida. Os mais de seis milhões de eleitores, todos os portugueses em idade de votar, incluindo mulheres, com uma participação de 92 por cento nas primeiras eleições verdadeiramente livres, exatamente um ano depois da revolução, são a resposta clara aos que classificam de miserável a revolução de abril.

22/04/2026
 

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