Alma Azul recorda Augusto Abelaira e comemora 25 de Abril
A Alma Azul, com o apoio da Câmara de Castelo Branco realiza, esta quinta-feira, a partir das 16 horas, na Biblioteca Municipal António Salvado, em Castelo Branco, a iniciativa Augusto Abelaira e a Cidade dos Cravos no Dia Mundial do Livro 2026, enquanto no próximo sábado, 25 de Abril, também a partir das 16 horas, no MUTEX – Museu dos Têxteis, nos Cebolais de Cima, será a vez da atividade As Palavras e a Música da Liberdade, para celebrar o 25 de Abril.
Para a Alma Azul “celebrar o Dia Mundial do Livro 2026 com um escritor, jornalista e ativista cultural como Augusto Abelaira, que nasceu em 1926, há precisamente 100 anos, é celebrar também muitos dos autores que o acompanharam na luta pela liberdade de pensamento, num país tolhido pelo medo e as represálias”.
A Cidade das Flores, que Augusto Abelaira publicou em 1959, descreve a cidade de Lisboa que o autor teve que nomear como Florença, Itália, para que o fascismo e a juventude sem futuro dos protagonistas, representasse um tempo e uma geografia distante dos portugueses.
É Augusto Abelaira que o escreve, em 1975 “onde se lê Florença, deve ler-se Lisboa – Florença foi um álibi para enganar a censura salazarista…” e mais à frente escreve: ”no fundo, as autoridades fascistas consentiam que algumas verdades fossem ditas se quem as dissesse tivesse o cuidado de fingir que as não dizia.”
A Alma Azul realça que “a ironia é que décadas depois essa Lisboa que Augusto Abelaira não podia nomear será reconhecida internacionalmente, também em Florença, como a Cidade do Cravos”.
Assim, esta quinta-feira, às 16 horas, na Biblioteca Municipal António Salvado, em Castelo Branco, a Alma Azul recorda “essa ironia histórica, mas também outros acontecimentos literários que envolvem Augusto Abelaira, como quando foi preso pela PIDE, em 1965, na qualidade de presidente do júri que atribuiu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores ao livro Luuanda, do Angolano, Luandino Vieira, na altura preso político na prisão do Tarrafal, em Cabo Verde. Um Prémio que ao ser noticiado, em exclusivo, pelo Jornal do Fundão motivou o seu encerramento”.
Será após o 25 de Abril de 1974 que a intervenção de Augusto Abelaira mais se fará notar no País. Na RTP, em 1977 e 1978, como diretor de programas, e como cronista dos semanários O Jornal e Jornal de Letras, entre outras publicações.
A Augusto Abelaira, que nasceu em Ançã, Cantanhede, a 18 de março de 1926, “os leitores e a Alma Azul vão agradecer a luta pela Liberdade que festejamos dois dias depois, a 25 de Abril, sábado, às 16 horas, em Cebolais de Cima, no MUTEX – Museu dos Têxteis, com Palavras e Música”.
As palavras, no MUTEX, serão de Jorge de Sena, João Camilo, Maria Velho da Costa, António Gedeão, Ana Hatherly, Jorge Sousa Braga, Natália Correia, Mário Cesariny e outros, numa sessão literária e musical que a Alma Azul preparou para celebrar o Dia da Liberdade.
As canções terão a voz (e a guitarra) de João Preto, que interpretará músicas de cantautores que marcaram a história cultural portuguesa, como José Afonso e Manuel Freire.