SEMPRE Por Todos aponta desequilíbrios nas contas da Câmara
A Coligação SEMPRE Por Todos, afirma, em comunicado que “na sequência da apresentação pública do Relatório de Prestação de Contas de 2025 por parte do presidente da Câmara Castelo Branco, considera importante repor equilíbrio e rigor no debate público”, esclarecendo que “a leitura política feita pelo executivo omite indicadores relevantes que constam do próprio documento oficial”.
Realça que o presidente da Câmara destacou, nas redes sociais, «uma gestão sólida, responsável e orientada para o desenvolvimento, referindo uma execução orçamental superior a 76 por cento, mais de 23 milhões de euros de investimento e um saldo corrente de 10,5 milhões de euros. Contudo, a análise detalhada do relatório evidencia que nem tudo acompanha o tom triunfalista da comunicação oficial”.
Nesta matéria avança que “desde logo, em 2025 o Município registou 63,6 milhões de euros de despesa, face a 62,6 milhões de euros de receita, revelando um diferencial negativo superior a um milhão de euros. Ou seja, apesar da narrativa otimista, existem sinais claros de pressão financeira”.
Acrescenta que “também ao nível da estrutura interna da autarquia, verifica-se um crescimento continuado. O número de trabalhadores aumentou de 589 para 608 funcionários, mais 19 num só ano. Paralelamente, a despesa com pessoal subiu mais de 1,2 milhões de euros, sendo cerca de 560 mil euros diretamente associados à entrada desses novos trabalhadores”.
Para a Coligação, “estes dados demonstram que não estamos apenas perante atualizações salariais ou ajustamentos normais. Estamos perante opções políticas que aumentam o peso da máquina municipal”.
Refere também que “outro dado relevante prende-se com a evolução da despesa corrente. Comparando 2025 com 2021, regista-se um aumento de cerca de 45 por cento, o que levanta legítimas questões sobre a sustentabilidade futura da gestão municipal. Por outro lado, parte significativa da subida da receita resulta da venda de terrenos e património, uma fonte extraordinária e não estrutural. Como tal, nem toda a receita apresentada corresponde a crescimento sustentado ou recorrente”.
Para a Coligação o relatório revela ainda “uma diminuição da liquidez municipal”, uma vez que “em 31 de dezembro de 2021, a Câmara dispunha de 44,7 milhões de euros em contas bancárias. No final de 2025, esse valor situava-se em 36,1 milhões de euros, menos cerca de 8,6 milhões de euros em quatro anos”, acrescentando que, “simultaneamente, o passivo aumentou em cerca de 3,5 milhões de euros, sinalizando um agravamento das responsabilidades financeiras do Município. Acresce ainda que, apesar do saldo corrente positivo invocado pelo executivo, o resultado líquido final do exercício volta a ser negativo, ultrapassando 2,2 milhões de euros”. Por tudo isto a Coligação defende que “é importante distinguir comunicação política de realidade financeira. Uma boa publicação nas redes sociais não substitui a leitura séria dos documentos oficiais” e conclui que “os Albicastrenses merecem uma informação completa, transparente e equilibrada sobre o verdadeiro estado das contas públicas”.