João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
POR ESTES DIAS o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou as novas estimativas revistas da população residente em Portugal. Os dados, reportados ao final de 2025, trazem conclusões muito importantes e mostram uma mudança clara no perfil demográfico do País. Em 31 de dezembro de 2025, a população residente em Portugal foi estimada em 11.424.031 pessoas. Isto representa um acréscimo de 36.809 pessoas em relação a 2024, confirmando que o País ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 11 milhões de habitantes.
Sem surpresa, os dados demográficos agora apresentados mostram que o saldo natural da população nativa (relação entre as mortes e os nascimentos) continua a ser claramente negativo e que o crescimento se deveu exclusivamente aos imigrantes com um saldo migratório amplamente positivo, sendo isto que justifica o crescimento real da população. No final de 2025, residiam no país 1.597.539 pessoas de nacionalidade estrangeira (cerca de 14 por cento do total da população).
A nossa Beira Interior também beneficiou deste fenómeno migratório, com a população a crescer em todos os 11 concelhos, em particular nos concelhos de Castelo Branco (mais 4.051 habitantes), Covilhã, Fundão, Sertã e Vila Velha de Ródão. A nossa região mostra capacidade de atração e fixação de estrangeiros, imigrantes de dentro e fora da Europa.
Estes dados do INE que tardaram em chegar, e que resultaram da aplicação de nova metodologia de coleta de dados, surpreendeu todos, incluindo os responsáveis pela governação. E deveriam causar satisfação, porque apesar de se manter o défice no saldo natural populacional, o aumento da população, mesmo que à custa de imigração, tem alimentado a economia em geral, faz respirar as contas da Segurança Social e afastou um pouco o fantasma da desertificação do Interior com as cidades, vilas e aldeias da nossa região a voltarem a ganhar vida, com uma multiculturalidade que, que numa visão antropológica, deve se ser vista como positiva. Mas de entre os comentários à notícia, objetiva, publicada na rede pela Beira Baixa TV há muitos, demasiados, que refletem os ódios e medos criados pela extrema direita, sobre sermos Bangladesh, termos agora (por causa dos imigrantes) mais insegurança e sem esquecer a teoria da substituição, fascista e ultranacionalista.
Quando parte importante destes imigrantes procurarem outras paragens com melhores salários e com políticas de imigração mais facilitadoras da legalização e reagrupamento familiar, como Espanha, Holanda e Alemanha, movimento que já está a acontecer e preocupa os empresários, talvez os que agora brandam contra Portugal feito Bangladesh, tenham solução para a carência de mão de obra que faz crescer e alimenta o País. Ainda esta semana, o Fundo Monetário Internacional alertou para os perigos para a economia portuguesa que representam as políticas de imigração mais restritivas. Tugas legítimos e certificados, pobretes mas alegretes, poderão dizer então.