Edição nº 1957 - 29 de julho de 2026

Patrícia Bernardo
MAIS TEMPO, MAIS AFETO: O PODER DAS FÉRIAS EM FAMÍLIA

O verão traz consigo dias mais longos, um ritmo mais tranquilo e, para muitas famílias, a tão aguardada pausa das férias. Independentemente, do destino escolhido, seja a praia, a serra, a aldeia dos avós ou, simplesmente, a própria casa, este pode ser um dos períodos mais importantes do ano para fortalecer os laços familiares.
Ao longo dos meses, vivemos absorvidos por horários, trabalho, escola, atividades e inúmeras responsabilidades. Muitas vezes, damos por nós a correr de um lado para o outro, convencidos de que estamos a fazer o melhor pelos nossos filhos. No entanto, há uma necessidade essencial que nenhuma agenda preenchida consegue substituir: a necessidade de tempo partilhado.
Na consulta de Psicologia é frequente ouvir pais dizerem que gostariam de estar mais presentes. Não porque lhes falte amor, mas porque lhes falta tempo. Curiosamente, as crianças apesar de pedirem presentes caros ou viagens extraordinárias, pedem e preferem que os pais brinquem, conversem, oiçam uma história, deem um passeio ou, simplesmente estejam ali, sem pressa.
É, precisamente, nesses momentos simples que se constroem as memórias mais felizes. Um gelado ao final da tarde, um mergulho no rio ou na piscina, um jogo de cartas depois do jantar, um passeio de bicicleta ou um castelo de areia podem parecer insignificantes aos olhos dos adultos, mas têm um enorme valor emocional para uma criança.
A investigação em Psicologia mostra-nos que o desenvolvimento saudável depende, em grande medida, da qualidade das relações afetivas. Sentir-se visto, ouvido e valorizado fortalece a autoestima, promove a segurança emocional e ajuda as crianças a enfrentar os desafios da vida com maior confiança.
Vivemos também numa época em que os ecrãs ocupam um espaço crescente no quotidiano familiar. Não é raro vermos famílias sentadas à mesma mesa, cada uma concentrada no seu telemóvel. As férias podem ser uma excelente oportunidade para recuperar conversas, redescobrir brincadeiras e criar momentos de verdadeira presença.
Importa, igualmente, lembrar que umas boas férias não se medem pelo dinheiro investido. As recordações mais marcantes da infância, raramente, estão ligadas ao luxo. Estão ligadas ao afeto. Muitas nasceram num quintal, numa caminhada pela natureza, num piquenique improvisado ou numa tarde passada na companhia dos avós.
Quando os anos passarem, os nossos filhos, dificilmente, recordarão o hotel onde ficaram ou a marca da roupa que vestiam. Recordarão, isso sim, quem lhes segurou a mão, quem brincou com eles, quem os ouviu e quem esteve, de verdade, presente.
As férias são muito mais do que um período de descanso. São uma oportunidade para fortalecer vínculos, cultivar afetos e construir memórias que acompanharão os filhos ao longo da vida.
Porque o maior presente que um pai ou uma mãe pode oferecer não se compra. Chama-se tempo. E quando esse tempo é vivido com amor, atenção e disponibilidade, transforma-se na mais valiosa herança emocional que uma família pode deixar.
(Psicóloga Clínica e da Saúde, Psicóloga Judicial)

29/07/2026
 

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