AS OBRAS DE RECUPERAÇÃO DEVERÃO DEMORAR 120 DIAS
Muralha da Rua Vaz Preto entra em obras de recuperação
Os trabalhos de recuperação do pano da Muralha localizado na esquina da Rua Vaz Preto com a Rua Mouzinho Magro, em Castelo Branco, foram apresentados na passada quarta-feira, 9 de setembro, para teem início ao longo desta semana, decorrendo agora durante 120 dias, ou seja quatro meses, para estarem concluídos em janeiro do próximo ano.
Na apresentação, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, avançou que “a conservadora-restauradora Telma Teixeira vai acompanhar a reconstrução da Muralha” e explicou que “esta é uma muralha não classificada, que teve uma derrocada há uns bons meses atrás e que tem, apesar de não estar classificada, um significado muito especial para Castelo Branco e também para o nosso património arquitetónico, para o nosso património construído”.
Leopoldo Rodrigues destacou que “podíamos ter escolhido um caminho mais simples, dado que não estávamos legalmente obrigados a consultar o Património Cultural, por ser um troço de muralha não classificado. Podíamos ter avançado de forma, digamos assim, mais intempestiva e de uma forma mais direta” para sublinhar que “entendemos que, nas questões do património, quando fazemos, devemos fazer bem”.
Com esse foco o autarca avançou que “o chefe de Divisão desenvolveu um conjunto de procedimentos que têm diferentes variáveis. Em primeiro lugar, uma contratação para a realização da obra e foi lançado um concurso público nesse sentido. Em segundo lugar, a comunicação e a relação com o Património Cultural, de modo a enquadrar a reconstrução desta muralha de acordo com as boas práticas ligadas ao património”.
Nesta matéria adiantou que “foi nesse sentido que solicitámos parecer ao Património Cultural, para que se pronunciasse acerca da intervenção que aqui vamos fazer, e que contratámos também, e isto por solicitação desse mesmo património cultural, uma conservadora-restauradora, Telma Teixeira”, acrescentando que “a obra também será acompanhada por um arqueólogo”.
Assim, considerou que “estão agora reunidas as condições para iniciarmos este trabalho de reconstrução, sendo que a autorização por parte do Património Cultural veio assinada durante o mês de julho”.
Leopoldo Rodrigues acrescentou ainda que “na altura também se entendeu”, em articulação com a empresa responsável pela obra, “que não valia a pena estarmos a começar um trabalho numa altura em que se estavam a iniciar as férias, para depois a seguir o virmos a interromper”. Ou seja, “podíamos ter começado logo no início do mês de agosto”, sendo que “por uma questão de opção e, essencialmente, uma questão de planeamento do trabalho, não fizemos nessa altura”.
O autarca reforçou que “esta é uma muralha não classificada, mas, ainda assim, entendemos que quando temos este tipo de intervenções, devemos fazer a intervenção bem feita e nós fizemos todo o caminho para que isto fosse bem feito. Podem-me dizer assim, demorou muito tempo. É verdade, demorou muito tempo e nós gostaríamos que fosse muito mais rápido que aquilo que foi, mas este é o tempo necessário para tratar as coisas de acordo com os procedimentos e com a metodologia que aqui acabo de descrever”, defendendo que “se optássemos por uma solução diferente, passados alguns dias depois de termos concretizado o processo de contratação, mandávamos avançar as máquinas e fazíamos uma reconstrução à revelia, se assim podemos dizer, do património cultural”.
Tudo para realçar que “não o quisemos fazer. Quisemos que todo este procedimento fosse feito de acordo com esta metodologia que descrevi”.
Questionado sobre a possibilidade de classificar a Muralha, Leopoldo Rodrigues aceitou que esse “é um passo a seguir”.
Uma matéria em relação à qual Telma Teixeira também é da opinião que “a Muralha merece ser classificada”, indo mais além ao afirmar que “defendo a classificação da Alcáçova e de toda a Cerca Muralhada”.
No que respeita aos trabalhos agora iniciados, Telma Teixeira adiantou que acompanhará diariamente as obras e revelou, por outro lado, que “não temos planta e temos muito pouca informação da Muralha”, pelo que aquilo que será feito será com “base em fotografias antes da derrocada”.
Recorde-se que este pano da Muralha ruiu na madrugada de 21 de janeiro de 2025, às 4h11, provocando danos numa viatura ali estacionada.
De referir, também, que este pano da Muralha se encontrava há alguns meses sinalizada, devido ao risco de derrocada, o que acabou por acontecer, certamente devido à chuva intensa registada desde dia 20 de janeiro de 2025, originada pela depressão Garoe.
António Tavares