João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
Durante o mês de setembro, os apontamentos vão recordar textos em estilo de almanaque, publicados na Gazeta do Interior em 2008 e 2009.
MATAR MOSCAS
Não há ninguém que não concorde em como é difícil matar uma mosca. Foi para tentar descobrir a razão desta dificuldade, que uma equipa de professores do Instituto de Tecnologia da Califórnia andou a investigar durante quase duas dezenas de anos, há que gabar-lhes a paciência, e agora publicaram o trabalho na Current Biology. Com a ajuda de câmaras de alta definição, concluíram que, com um cérebro tão pequenino, as moscas têm uma inteligência fulgurante e um excelente planeamento no voo, necessário para escapar à perseguição que não desistimos de lhes fazer. Em cem milésimos de segundo, o bicho coloca-se em posição de pré-voo, centrando a massa do seu corpo e impulsionando-a depois com a força das patas. Um dos cientistas da equipa que estudou o comportamento da mosca aconselha: se se quiser apanhar uma, não se deve fazer pontaria para a posição em que ela está, mas para um ponto mais além, na trajetória prevista. Com a Gazeta ou outro jornal, cuidadosamente dobrado, ou com o clássico mata-moscas de plástico, avance-se matreiramente, que a mosca deteta mal os movimentos lentos, e zás. Boa caça!
E ainda alguns saberes científicos, aparentemente, inúteis.
Em artigo publicado no Journal of Pediatrics, investigadores canadianos defendem que há uma relação entre as náuseas matinais das grávidas e o coeficiente de inteligência do futuro bebé. A ser verdade, já estamos a ver a alegria com que as futuras mamãs vão receber tão incómodo mal-estar, a pensar já em futuros sucessos escolares e profissionais do rebento...
E um estudo publicado na BMC Biology assegura que ter piolhos em criança, faz diminuir o risco de padecer, quando adulto, de asma e alergias. A explicação está no facto de os parasitas, ao ativar o sistema imunitário, fazerem com que este aprenda a definir qual deve ser a resposta apropriada, perante outros agentes externos menos ameaçadores como o pólen e o pó...
Como poderíamos viver sem o saber?