A GAZETA PERCORRE A PRAÇA PARA AUSCULTAR OPINIÕES
As grandes superfícies engoliram o pequeno mercado
O Mercado Municipal de Castelo Branco, mais conhecido como Praça, continua a ser um ponto de referência na vida do dia a dia de muitos albicastrenses, que se deslocam àquele espaço localizado na Avenida 1º de maio, para fazer as suas compras, quer sejam de carne, peixe, produtos hortícolas, ou outros.
A Gazeta também foi à Praça, não para fazer compras, mas para auscultar a opinião de vendedores, bem como dos clientes, e deixa-lhe aqui o retrato do que é o quotidiano no velho Mercado Municipal que há alguns anos foi requalificado e está como novo.
Da parte dos vendedores foi fácil encontrar um padrão. A maioria trabalha no local há vários anos, muitos desde o primeiro dia de abertura, e todos concordam que o número de clientes e de vendas desceu consideravelmente.
Alguns atribuem uma percentagem a esta descida.
Os mais otimistas apontam para uma quebra de vendas na ordem dos 50 por cento, comparativamente com a altura em que a Praça tinha mais movimento.
Os mais pessimistas vão mais além ao afirmar que as quebras rondam os 80 por cento.
Há ainda quem relembre tempos mais antigos, como é o caso de Lurdes Ribeiro, vendedora na banca da Padaria Carvalho, há 29 anos, que declara que antes “nem conseguia tomar o pequeno-almoço, devido à afluência de pessoas”, que era maior ao sábado e às segundas-feiras.
A razão apontada é comum em todas as respostas: “as grandes superfícies engoliram o pequeno mercado”.
Segundo alguns vendedores, antigamente toda a gente ia à Praça, por não haver mais nenhum lugar onde pudessem encontrar os géneros que pretendiam. Com a abertura das grandes superfícies comerciais, tal já não acontece.
Apesar das várias bancas, muitas com produtos semelhantes, a concorrência dentro Praça não é o problema, pois segundo Lurdes Ribeiro “os clientes sabem distinguir os produtos de banca para banca, veem quais preferem e tornam-se clientes habituais”.
Tendo isto em conta, os vendedores com poucos anos de experiência no local, como é o caso de Teresa Nunes, afirmam ser difícil ganhar clientes, pois os que frequentam este espaço são poucos e idosos, sendo por isso clientes habituais de outras bancas, onde já ganharam confiança com os donos e com os produtos que estes comercializam.
Mesmo assim, ainda há quem faça as suas compras na Praça.
Pelo lado dos clientes, quando questionados acerca das razões pelas quais compram na Praça, apresentam quase sempre a mesma resposta: vêm pelos artigos frescos e caseiros.
A maioria procura um determinado produto, sendo que os mais requisitados são a carne e o pão, pois as pessoas consideram-nos mais frescos que aqueles que encontram nas grandes superfícies.
Estes não negam frequentar os grandes espaços comerciais para a compra de géneros, no entanto, reconhecem que nem todos os produtos aí presentes têm a qualidade dos produtos tradicionais, acabando por complementar as suas compras com artigos da Praça, que consideram mais saudáveis, saborosos e de qualidade superior.
Verifica-se também que os clientes deste espaço são maioritariamente idosos, frequentando a Praça desde o dia da sua abertura, assiduamente, no entanto, nem todos correspondem a este perfil.
Ainda há uma faixa da população relativamente jovem a frequentar a Praça, apesar de serem poucos e de não o fazerem com frequência. Dizem entrar no recinto “quando estamos de passagem”, havendo ainda quem diga que gosta de frequentar o mercado tradicional, por ser algo que lhes foi transmitido desde crianças.
Em jeito de solução para o número insuficiente de clientes, tanto jovens, como mais idosos, Isabel Mateus, que tem um espaço na Praça, afirma ser importante a colocação “de sinalética no exterior, que dê a conhecer o espaço, pois o importante é as pessoas entrarem”.
Carla Nunes