22 julho 2015

Fernando Raposo
Hollande ou o “conto do vigário”…

Esta já não é a Europa dos Fundadores da União (como Konrad Adenauer , Wiston Churchill ou Jean Monnet, entre outros), líderes visionários, movidos por um forte desejo de uma Europa em paz, unida, próspera e solidária.
Saía-se da II Guerra Mundial.
Encurralados a norte pelas tropas inglesas e cercados a leste pelos soldados da URSS, os alemães e italianos não tinham por onde escapar. Hitler, ao que se diz, dera um tiro nos miolos e assim se pusera termo a mais uma guerra absurda, fruto do sentimento de vingança e da ambição desmedida da Alemanha e de um líder tresloucado.
Esta também já não é Europa da adesão da Grécia, em 1981, ou de Portugal e Espanha, em 1986.
Aquela Europa em paz, unida e próspera é agora, sob a arrogância, a prepotência e a insensibilidade Merkel e do senhor Shauble, a Europa do egoísmo, do ódio e da humilhação que faz emergir o sentimento mais desprezível de vingança dos tempos de um Hitler tresloucado de uma Alemanha sangrenta.
A recente humilhação infligida à Grécia e ao seu povo indefeso, sofrido e na miséria , em consequência de uma suposta estabilidade do EURO, da ganância insaciável dos mercados financeiros sem rosto e sem alma, deitam por terra “todo o capital político que uma Alemanha melhor acumulou em meio século”. (Jurgen Habermas, citado pelo Público, 17/07)
O caos a que se chegou, em que as dívidas da Grécia, de Portugal e dos países periféricos são impagáveis e resultam de programas de reajustamento impostos pela Troika, que não são compagináveis com economias frágeis, em que os custos de contexto não são iguais na zona euro e cuja competitividade num mercado mais globalizado é cada vez mais difícil.
A Grécia recebeu entretanto um crédito de 7000 milhões que foi direitinho para os credores: 3500 milhões para o Banco Central Europeu (BCE); 2000 milhões para o Fundo Monetário Internacional (FMI); 400 milhões para o Banco central da Grécia. Para a “paparoca” do povo grego e para a sua economia pouco mais de nada. A dívida grega continuará a aumentar e as dificuldades agravar-se-ão ainda mais.
Em Portugal, apesar do ar optimista de Passos e Portas, e dos “cofres cheios” da ministra das finanças, a dívida do Estado aumentou 36,4%, ou seja 59,8 mil milhões, desde que a Troika por cá assentou arraiais. Em 2011, a dívida era de 164,348 mil milhões e agora, em 2015, é de 224,155 mil milhões. Ao ano a dívida “trepou” 14,9 mil milhões.
Porra p’ro euro! É muita grana.
É por causa disto que os portugueses, como os gregos, andam chateados e descrentes quanto ao futuro e também quanto à Europa.
François Hollande, o Presidente francês, já veio propor, ou, para ser mais justo, sugerir aos seus pares, a criação de um governo conjunto para o euro. Atendendo à forma como os países periféricos têm sido tratados, a proposta de Hollande (desculpem a ironia) é irrecusável!!
Tenha juízo senhor Hollande, que a malta já não vai no “conto do vigário”. Proponha um referendo e logo verá qual a resposta.
Eu, que sempre fui um Europeísta convicto, depois da sacanice que fizeram ao povo grego, só me apetece, como por cá é bem conhecido do povo português, fazer-vos a todos, a Hollande, Merkel e ao resto da corte, o manguito.

20/07/2015
 

Em Agenda

 
24/01 a 28/03
Well-being SceneryGaleria Castra Leuca Arte Contemporânea, Castelo Branco

Gala Troféus Gazeta Atletismo 2024

Castelo Branco nos Açores

Video