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Edição nº 1769 - 30 de novembro de 2022

EDUCAÇÃO
ETEPA comemora 30 anos

A Escola Tecnológica e Profissional Albicastrense (ETEPA) comemorou, na passada quinta-feira, 24 de novembro, o 30.º aniversário. Na sessão comemorativa, realizada no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), o diretor pedagógico deste estabelecimento de Ensino Profissional, João Ruivo, começou por recordar o mês de julho de 1992, quando “os responsáveis, à época, pela Associação Comercial e Empresarial da Beira Baixa (ACICB), assinaram com o Estado Português o contrato programa que viabilizaria o início da atividade formadora da ETEPA, ainda nesse ano”, salientando que “mal sabiam o impacto que tal ato viria a ter na oferta formativa da nossa cidade e no seu contributo para o desenvolvimento do seu tecido económico e social”.
Isto para destacar que “com sábia decisão, com visão e sentido de missão, a ACICB não se escusou a enfrentar este desafio, contando sempre com o apoio da Câmara e com a solidariedade dos empresários e comerciantes da Região” e referir que “naquele momento oficial, talvez não pressentissem que, passadas três décadas, essa Escola, a ETEPA, estaria aqui, hoje, para comemorar esse grande passo inicial de enorme criatividade e responsabilidade social”.
João Ruivo assegura que passados 30 anos a “ETEPA orgulha-se de ter no seu nome a palavra Albicastrense, enquanto única escola profissional nascida na cidade, portanto com o ADN da cidade e preparada para ajudar a qualificar a cidade, a região, o País e o mundo global da sociedade do conhecimento”.
Orgulho que também está bem patente quando afirma que a ETEPA, atualmente com “cerca de 150 alunos, o máximo que consegue albergar em virtude da diminuição da procura, dos condicionamentos da rede de cursos profissionais e da disponibilidade de instalações e de docentes, alcançou, nos últimos 30 anos, objetivos que a orgulham e dignificam”, sublinhando, noutra vertente, que “nestas três décadas, e tendo em conta essa nossa pequena escala, a ETEPA já investiu no Concelho, em vencimentos, equipamentos e renovação de instalações, mais de um milhão de euros e formou mais de mil técnicos especializados”.

Orgulho no trabalho
da Escola
João Ruivo foca de seguida a vertente pedagógica, ao referir-se à “escola pública, onde todos podem e devem entrar”, mas, frisa, “infelizmente, nem todos conseguem aprender e permanecer”.
Isto para mais à frente avançar que “temos no sistema, incorretamente designado por regular, milhares de alunos que não se sentem vocacionados para aprendizagens académicas, de acentuados currículos formais que privilegiam competências cognitivas, em detrimento do conhecimento operacional e instrumental”. Situação que leva João Ruivo a assegurar que “se mais algum mérito deve, obrigatoriamente, ser imputado à ETEPA, será o que decorre do facto de esta escola profissional ter formado muitas centenas de cidadãos e técnicos de primeira água, ou seja, centenas e centenas de alunos que, no referido ensino regular, estariam condenados à exclusão, ao insucesso e ao abandono escolar, apenas porque privilegiavam a praxis, o conhecimento empírico, baseado na experiência, o conhecimento processual, baseado no saber fazer, e na intencionalidade de se incorporarem no tecido produtivo, independentemente de prosseguirem estudos no Ensino Superior”, concluindo que “a recuperação para a vida ativa e para o bem-estar profissional destas largas centenas de alunos é uma dívida impagável que toda a nossa comunidade tem para com a ETEPA”.
Os motivos de orgulho para a ETEPA, no entanto, não ficam por aqui, uma vez que, como destaca João Ruivo, a Escola recebeu, recentemente, o Selo de Qualidade Europeu para o Ensino e Formação Profissional (EQAVET) atribuído pela Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional.
Assim como é motivo de orgulho o facto de, “no último triénio, ter obtido taxas de transição de 76 por cento, e taxas de 90 por cento em relação a alunos que obtêm o seu primeiro emprego nos primeiros seis meses após a conclusão do curso” e acrescenta que “cerca de 45 por cento dos nossos alunos acabam por ingressar no Ensino Superior e 90 por cento dos empregadores manifestam a sua satisfação, através de inquérito, com o desempenho dos técnicos por nós formados”.

As ameaças
que exigem união
Já com os olhos no futuro, João Ruivo alertou que este “se torna incerto e com muitas variáveis de constrangimento”, desde logo, porque “estamos, hoje, a receber no Ensino Secundário, a primeira vaga de acentuada quebra demográfica que se veio a instalar desde 2007, ano em que, pela primeira vez, a taxa de natalidade, em Portugal, passou de dois para um dígito, mais concretamente, de 11,6 no ano anterior, para 9,7 nesse ano”, para reiterar que “estamos, pois, perante um acentuado corte demográfico, com sérias implicações quanto ao número de candidatos às diferentes ofertas formativas”.
João Ruivo, na sua intervenção, ao falar da escola e dos novos tempos, também deixou um desafio, ao avançar que “confiem na escola e nos professores”, porque, garante, “uma sociedade baseada na desconfiança, que vive na suspeita das suas instituições e, sobretudo, no descrédito da escola e dos seus docentes, não fará as reformas necessárias para se adequar aos novos tempos exigidos pela sociedade do conhecimento e da informação”.
E com este pano de fundo apresenta aquelas que considera as “10 ameaças que nos convocam a unir forças, criatividade, cooperação e sentido social, no intuito de as superar”.
Em primeiro lugar aponta “a diminuição da procura de cursos profissionais, decorrente da quebra demográfica e do desajuste da oferta formativa nas redes de cada região”, ao que junta “a concorrência entre instituições formadoras, competição irracional que necessita de uma urgente análise de proximidade, de uma análise da consistência da coesão territorial, para que nas comunidades intermunicipais em que interagem não se provoquem ruturas, ou mesmo perdas institucionais irrecuperáveis”.
A lista continua com “a representação social negativa dos cursos profissionais num vasto conjunto de determinadas camadas sociais da comunidade local e nacional”, bem como “a perda da meritocracia dos diplomas entre os mesmos estratos sociais, que já não valorizam a frequência da escola como alavanca social para o sucesso e para a empregabilidade dos seus filhos”, ou “a perigosa e inexplicável desatualização das ofertas formativas disponíveis no Catálogo Nacional de Qualificações e do Sistema de Antecipação de Necessidades de Qualificações (SANQ)”.
Outras ameaças passam pela “correspondente desatualização dos Programas das diferentes Disciplinas e das Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD); o absurdo número de horas letivas semanais dos cursos profissionais, que impedem o desenvolvimento de atividades extracurriculares que visem a inovação e a renovação das práticas pedagógicas dos docentes e a melhoria das aprendizagens dos seus alunos; um modelo de financiamento obsoleto, que privilegia metas e taxas economicistas, independentemente do esforço das escolas para promover o sucesso académico e social dos seus alunos e impedir o abandono escolar; a constatação de que as nossas escolas já não estão só a formar para o mercado local, dado que, pela facilidade e promoção da mobilidade, os nossos técnicos podem vir a trabalhar no mundo distante da economia global; a impossibilidade, ainda devido ao sistema de financiamento, de manter nas escolas profissionais um número significativo de docentes em tempo integral, o que as impede de envolver os seus professores no desenvolvimento de inúmeras atividades relevantes e, sobretudo, de construir uma cultura organizacional endógena, que se revela fundamental para o sucesso integral de qualquer instituição”.

Escola elogiada
A exemplo de João Ruivo, também Sérgio Bento, presidente da ACICB, que é a proprietária da ETEPA, refere que “em boa hora, em 1992, um conjunto de empresários da Associação teve a ideia de criar um novo projeto, a escola profissional”, para concluir que “se revelou uma excelente aposta”.
Sérgio Bento realça que “o Ensino Profissional revela relevância nos planos curriculares”, bem como destaca que estes “cursos possibilitam continuar a formação no Ensino Superior”, não perdendo a oportunidade de colocar em primeiro lugar o Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB).
A delegada regional de educação, Cristina Oliveira, afirma que o Ensino Profissional apresenta uma “vantagem, que é a oportunidade de formar melhores profissionais, que começam a ser formados mais cedo”.
Já o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, afirma que a ETEPA “tem-se afirmado. Tem um trabalho de enorme qualidade na formação de profissionais”.
Tudo para adiantar que “o que desejamos é que a ETEPA continue a formar” e reforçar que “ao longo de 30 anos tem formado profissionais de excelência”.
António Tavares

30/11/2022
 

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