Antonieta Garcia
EM NOME DO PAI...
Nas duas últimas semanas, mais coisa, menos coisa, a sobremesa tem sido eleição, mais eleição, mais eleição, uma espécie de tapioca filha do Brasil que se enerva, gelatinosa, e só se demite, quando enjoam os sete hinos vadios ouvidos à noitinha.
São dias que duram que se fartam. Enooooormes! Irritantes, entre uns felizes e outros nem por isso, arquitetam edifícios do arco da velha, a puxar para a sedução como gostam. Todos envergam o sorriso da vitória final; mesmo se muito amarelinho, parecem estar nas suas sete quintas.
Não custa encenar a felicidade que pode mais do que a compaixão (faz-de-conta); é uma maravilha para quem concebeu o cenário maravilha...
Muitos abraços e números para todos os gostos acabam com o Inferno das campanhas eleitorais a dormir mal, e, todos à uma, a jurar a pés juntinhos que agora é que o país vai.
Para onde? Calma.
Cáfilas de gente pouco sabem da defesa de ideias de liberdade; chegam tarde a integrar listas, põem a máscara, cansam-se, emagrecem, desesperam. Mas entrar num Partido político é fácil. Dão até um cartão e, desde que paguem as quotas, ficam associados. Militância a sério só para os mais ambiciosos. Depois rogam, como diz a canção tipo Festival: sobe, sobe, balão sobe / Vai pedir àquela estrela/ que me deixe lá viver e morar...
Sonhos?
Contra a ditadura e pela democracia apregoam a sete ventos um Catecismo que os faz milagrosamente conservadores, graças a Deus!
Vale-lhes serem pessoas de fé; não resistem a um microfone à frente do nariz, e se entra mosca ou sai asneira, mantenha-se fresca que nem uma alface; tristezas não pagam dívidas.
Agora, após os resultados, D. militante descanse uns dias. Desapareça. Vá para férias, controle a energia, atente nos períodos de meditação... que o bem-estar chega, pois claro! Agora convença-se: a sua vida mudou! Leia o texto que as linhas da sua mão contam e siga o rumo em conformidade com os avisos e grafemas.
Acresce que passar a mão pelo pêlo dos poderosos, nunca fez mal a ninguém!
Mesmo que enjoe os titulares de nobrezas, os que baralham doutrinas e valores, pratique o paleio, louve, louve, louve...
Se não resultar, volte atrás e socorra-se de malandrins. No traçado do plano de atração não esqueça mestres, doutorados (na Universidade encontra o melhor e o pior) e outros.
Nunca despreze o saber de sacerdotes de banda larga, muito conhecedores destas matérias, com uma experiência milenar de “dar a volta ao texto”: passam do burrico ao Mercedes e a outros que tais...
Chega longe? Chega, pois.
Arme-se de livros e de companhias acertadas. Depene-se de penas antigas e siga o velho Mestre:
“O Chefe do Governo não é um estadista: é um arrumador. Para ele, o país não se compõe de homens, mas de gavetas. (...) É sempre e em tudo um contabilista, mas só um contabilista”.
“Salazar”