Edição nº 1837 - 27 de março de 2024

António Abrunhosa
A MARCA DA GAZETA

Durante a vida da Gazeta, mais de 600 milhões de chineses saíram da pobreza. Ou seja, no grande quadro do mundo em que vivemos, a vida da Gazeta é um fenómeno modesto.
Mas na vida dos 50 e tal mil habitantes de Castelo Branco, a Gazeta teve uma importância muito superior à que a modéstia dos seus recursos poderia sugerir.
Quando o Afonso Camões achou que era tempo de tornar real uma das inúmeras ideias que já teve para melhorar a situação triste da cidade onde lhe calhou crescer, Castelo Branco atravessava um período dos mais dinâmicos da sua longa história, com a instalação de várias indústrias que, ainda hoje, são das mais importantes do Distrito. Mas foi também o período em que a jovem democracia em que vivíamos foi mais atropelada pelo surgimento dum pequeno grupo de figurões que gerou fortunas de dimensão nacional, em boa parte nascidas com o controle total do partido que controlava as instituições municipais e distritais. Por essa via ditaram, durante anos as regras sob as quais viviam milhares de cidadãos, cujas vidas, empregos, carreiras, empresas, investimentos, dependiam completamente das vontades, caprichos e decisões desse grupo, muito pequeno, de autênticos ditadores locais. Situações parecidas afetavam outros concelhos do Distrito.
A Gazeta teve um papel decisivo na correção desse desvio anti democrático e oligárquico das principais instituições concelhias e distritais, primeiro com o jornalismo moderno e desempoeirado do Afonso e do Joaquim Duarte e depois com o jornalismo profissional, corajoso e de investigação dos principais jornalistas, com destaque para a Teresa Antunes e a Paula Nogueira, a que se seguiram muitos outros depois.
E sempre debaixo de ataques cerrados e numa situação financeira muito difícil, exigindo abnegação e sacrifícios de todos os colaboradores do jornal, a todos os níveis, desde os serviços técnicos e administrativos até à administração da empresa detentora do jornal.
Obviamente, a vida da Gazeta é muito mais vasta do que esses anos que refiro, mas eles tiveram um impacto na vida da cidade que ainda hoje se sente.
Não vou referir os inúmeros momentos de alegria, entusiasmo, angústia, stress e trabalho exaustivo que todos os que colaboraram na Gazeta ao longo de todos estes anos tivemos.
Mas a minha participação em alguns deles está entre o que mais me orgulho de ter feito na minha vida.
Longa vida à Gazeta e aos seus colaboradores.

27/03/2024
 

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