João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
FOI UMA SEMANA onde, mais uma vez, se sucederam acontecimentos trágicos. Em Sydney, na Austrália foi o assassinato de 16 pessoas e dezenas de feridos reunidos numa celebração judaica; nos EUA foi o assassinato do português Nuno Loureiro, que deixou em choque a comunidade científica e não só. Brilhante físico e professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi morto por um outro português, também físico, que antes já tinha disparado, no campus da Universidade de Brown, em Providence, de que resultaram dois mortos e 9 feridos. E finalmente, foi a morte violenta, com faca, de Rob Reiner, ator e realizador e da sua esposa Michele.
Numa época em que se deveria viver o amor e a fraternidade, cai-me mal trazer aqui estes trágicos acontecimentos e, a propósito disto, falar novamente do indivíduo que é a pura essência do mal. Mas não consigo deixar passar em branco a chocante maldade de Trump, na reação ao acontecimento trágico que chocou de forma especial todos os cinéfilos. Como realizador, fez muitos filmes que estão na memória de todos os que gostam de cinema. Só lembro duas comédias românticas, Um Amor Inevitável e Sintonia do Amor, com Meg Ryan, a fazer par romântico com Billy Cristal e Tom Hanks. E sem poder esquecer Conta Comigo, um dos filmes de sempre sobre a adolescência.
No momento de profunda tristeza de perder uma figura tão querida e respeitada na cultura popular, supostamente às mãos de um filho problemático, seria normal que qualquer líder, quisesse aliviar toda essa dor com um gesto de compaixão, empatia e um discurso apaziguador. Mas Trump atingiu a mais baixa escala da pulhice humana, na forma como reagiu ao trágico acontecimento. Tão abjeto que já é difícil encolher os ombros, não dar importância ao que ele diz ou faz e continuar a pensar que é simplesmente Trump a ser Trump.
Foi à sua rede social, através da qual ele governa o seu País, e escreveu: “Rob Reiner, um diretor de cinema e astro da comédia atormentado e em dificuldades, mas outrora muito talentoso, faleceu, juntamente com sua esposa, Michele, supostamente devido à raiva que causou em outros por causa de sua doença mental grave, inflexível e incurável conhecida como SÍNDROME DE DESORDEM DE TRUMP, às vezes chamada de TDS. Ele era conhecido por enlouquecer as pessoas com sua obsessão desenfreada pelo presidente Donald J. Trump, com sua paranoia evidente atingindo novos patamares à medida que o governo Trump superava todas as metas e expectativas de grandeza, e com a Era de Ouro da América em pleno andamento, talvez como nunca antes. Que Rob e Michele descansem em paz!”
Eu fiquei muito preocupado e tenho de arranjar algum especialista que me trate, porque julgo que sofro também do tal SÍNDROME DE DESORDEM DE TRUMP (assim mesmo, escrito em maiúsculas).
Terminando, e já imbuído do espírito natalício, desejo a todos os nossos leitores, um Natal Feliz em família e com muitas prendas (úteis) do Menino Jesus. Vamo-nos encontrar por aí à volta do Madeiro, comer uma filhó com uma caneca de café de borras e beber vinho quente que, conforme proclama o nosso cancioneiro popular, “filhoses com vinho, não fazem mal”. Mas sem abusar.