João Carlos Antunes
37 anos de Gazeta… é obra!
Estes 37 anos são festejados num contexto regional, nacional e global muito difícil. Desde a passagem de um comboio de tempestades, que afetou principalmente a Zona Centro e que causou prejuízos elevadíssimos de muitas centenas de milhões de euros, até ao momento que se vive agora, uma intervenção insensata no Irão, que lançou o Médio Oriente e o Mundo num verdadeiro ambiente de guerra, com todas as graves consequências que daí advém para a vida das pessoas e das empresas. Tudo isto gera situações de instabilidade, com correlativos aumentos de custos e contração económica ao qual o nosso jornal, como todos os outros, não estão imunes.
Ainda a recuperar da pandemia, que trouxe evidentes mudança de hábitos de consumo, leitura e convívio, para além da urgente necessidade de reencaminhar recursos para a reconstrução, há uma probabilidade de a crise geral da Imprensa nacional e regional se agravar. Que não se leiam estas palavras como mostra de pessimismo ou descrença. Parafraseando Mark Twain, a notícia da morte da Imprensa escrita é manifestamente exagerada. Quando apareceu a televisão era anunciada a morte da rádio, os discos digitais (CD) anunciavam a morte do vinil. Nenhuma destas profecias se confirmou, como não se vai confirmar que a informação em formato digital vai representar o fim do jornal em papel, por tudo o que isso representaria de perda de capacidade analítica, formação de memória, pensamento contextual, profundidade de conversação.
37 anos dão a esta equipa, pequena em número mas grande em alma, que todas as semanas fazem chegar a Gazeta do Interior aos leitores, uma maturidade condimentada com muita resiliência que nos não deixa desistir perante as dificuldades que tantas vezes parecem intransponíveis, com apoios prometidos, nunca cumpridos, pelo Governo à Imprensa regional. Não entendemos porque campanhas oficiais de promoção da saúde e segurança das populações ou de participação cívica nas eleições, sejam inseridas na Imprensa regional apenas numa perspetiva comercial, a serem ignorados os muitos milhares de leitores de publicações que não são líderes de tiragem no Concelho ou na Região.
A Imprensa regional, sendo agente importante na defesa da democracia e da coesão territorial, sofre dos problemas da interioridade, em territórios de baixa densidade e frágil tecido económico. Consideramos por isso que deveriam ser objeto de apoio especial. Lembramos como há alguns anos atrás se apoiaram projetos de modernização informática, ou de como foi importante para os títulos regionais o sistema de porte pago, uma forma justa de reconhecer a especificidade destes jornais, como a Gazeta do Interior que, ao contrário dos grandes jornais nacionais, têm tradicionalmente uma boa parcela de vendas em regime de assinatura. E também muitos dos nossos leitores locais habituaram-se a receber à quinta o jornal na caixa do correio.
Até porque os quiosques também vão desaparecendo da vida das nossas cidades e vilas. E é notícia da edição deste domingo do Correio da Manhã que o magistério de influência de António José Seguro esteja a funcionar. Há já uma resposta positiva ao seu apelo a um entendimento entre a distribuidora VASP e o Governo, para que os jornais continuem a chegar aos quiosques do Interior. O Presidente lembrou as suas vivências em Penamacor e da “importância de um jornal quando ele chega à mesa de um café, a uma barbearia, a uma mercearia”.
Nesta edição, prestamos também o nosso reconhecimento a todos os postos de venda de jornais do Distrito que vendem a Gazeta do Interior, mas permitam-me um reconhecimento especial à dona Palmira e à dona Isabel que continuam no seu espaço, a vendê-la desde o número um. O nosso reconhecimento também aos que, a título pessoal ou institucional, são fiéis assinantes de primeira hora. De Oleiros, Lisboa, Covilhã, Grândola, Coimbra, Vila Velha de Ródão, Fundão, Cebolais de Cima, Cebolais de Baixo, Sarzedas, Escalos de Cima e Castelo Branco.
Temos os melhores leitores e também temos os melhores colaboradores da cultura regional e nacional que tornam a terceira página um caso sério na Imprensa regional. Com colaboradores e amigos de uma qualidade que já extravasa a terceira página e nos deliciam com crónicas de fino humor e traço literário. O jornal existe em função dos seus leitores, mas sem anunciantes que acreditam em nós não seria possível cumprir essa missão. A todos o nosso sincero e beirão bem-haja!
37 anos de Gazeta do Interior é obra… são 1.939 semanas a fazer-vos chegar a cultura e a informação credível, independente, empenhada na democracia. Termino, roubando palavras ao Jorge Palma, enquanto houver estrada para andar a Gazeta do Interior vai continuar...