Edição nº 1966 - 7 de outubro de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

CONFESSO QUE JÁ TENHO SAUDADES do tempo em que o verão era considerado a silly season, literalmente traduzido será a estação das palermices. Saudades do tempo em que os media, fossem jornais, revistas ou canais de televisão, verão adentro, com a política de férias, preenchiam páginas com os estivais questionários de Proust, oportunidade para ficarmos a conhecer mais intimamente os inquiridos, sempre gente famosa. Enchiam-se as páginas ou os noticiários com curiosidades, notícias leves, frivolidades, fotografias de políticos e artistas na praia, a exibir bons peitorais e corpos bem desenhados, de fazer inveja aos que continuavam a labuta diária, a contar os dias para também irem a banhos. Ou não… talvez se ficassem pela visita à família que continuava a viver numa qualquer aldeia perdida do Interior, com festas de verão a animar as férias. A ideia formada era a de que a generalidade dos cidadãos se está borrifando para os problemas do universo, agora mais preocupados com o tempo que faz e a temperatura da água na praia onde assentaram arraiais, preocupados com a forma de ocupar as crianças, minimizando as interferências no sossego dos adultos, discutindo com os vizinhos do toldo a qualidade e o preço das Bolas de Berlim.
A existência da silly season significava que no universo global e no nosso universo particular estava tudo a correr bem, pelo menos dentro dos parâmetros aceitáveis. Mas não, já não há espaço para estações idiotas, ainda que Trump, bem destacado na corrida ao prémio de maior idiota de sempre, candidato a rei do Universo, continue com as suas basófias a que já não achamos piada, porque nos afetam, e de que maneira, a todos.
Mas no espírito da estação idiota, não podemos esquecer o assalto e vandalização do gabinete de André Ventura na Assembleia da República. Um trabalho de assaltante de tal forma mal encenado, de tão rasca que nem para filme de categoria B, terceira categoria, dá. Coisa para esquecer, pensará AV. Será mesmo assim? Eu, que sou curioso e gosto de conhecer o fim às coisas, espero pelo desfecho da história e que não seja só na próxima estação idiota, quando está meio mundo a banhos.
Mas entre guerras que parecem intermináveis, destruições e sofrimentos, há notícias que nos fazem acreditar no futuro. Como a da Maricarmen, a octogenária madrilena, com graves problemas de mobilidade, despejada de uma casa onde vivera durante setenta anos. A solidariedade levou muitos milhares de cidadãos espanhóis para a rua em protesto, e a onda de protestos cresceu tanto, que levou o chefe do governo espanhol a prometer para muito breve legislação que impeça que despejos assim voltem a acontecer. O movimento solidário fez recuar a empresa gestora de fundos imobiliários, proprietária do prédio, e Maricarmen voltou para a sua casa. Uma história com um final aparentemente feliz.
E com tudo isto, com ou sem palermices, as Bolas de Berlim continuam a comer-se nas praias de Portugal. Do mal o menos.

07/10/2026
 

Outros Artigos

Em Agenda

 
05/08 a 31/10
Vasta é CastelaCentro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova
05/08 a 31/10
Prémios Nobel na Obra de Bertino CordeiroMuseu Municipal de Penamacor
09/10
O Fim da LiteraturaBiblioteca Municipal António Salvado, Castelo Branco
tituloNoticia
10/10
IV Encontro Associativo da Beira BaixaSanta Casa da Misericórdia de Belmonte
15/10
Poema de Agustina Bessa-LuísBairro do Cansado, Castelo Branco

Gala Troféus Gazeta Atletismo 2024

Castelo Branco nos Açores

Video