REFORÇAR FREQUÊNCIA E COBERTURA DOS TRANSPORTES PÚBLICOS
Proposta da IL aprovada em Assembleia
A Assembleia Municipal de Castelo Branco aprovou, por maioria, uma moção apresentada pela Iniciativa Liberal (IL) que recomenda à Câmara que coloque o reforço da frequência, dos horários e da cobertura territorial dos transportes públicos entre as prioridades da preparação da próxima concessão.
A proposta contou com os votos favoráveis da Iniciativa Liberal, Coligação Sempre por Todos, Partido Socialista (PS) e PEP - Movimento Pessoas em Primeiro, enquanto o Chega se absteve.
Para a IL, “a discussão sobre os transportes públicos no Concelho deve partir, antes de mais, dos problemas concretos identificados por quem utiliza o serviço”, adiantando que “os dados do próprio Município são claros. No Relatório de Desempenho da Autoridade de Transportes relativo a 2024, 55 por cento dos utilizadores inquiridos classificaram a frequência do serviço como insuficiente, tornando-a no parâmetro da oferta com pior avaliação. Quando questionados sobre o que deveria ser melhorado, 28 por cento das sugestões apontaram para o aumento da frequência e 8,5 por cento para o aumento da oferta”.
Segundo a IL estes são números que “demonstram que a prioridade deve estar em garantir que os transportes existem onde são necessários, nos horários em que são necessários e com uma frequência que permita constituírem uma verdadeira alternativa ao automóvel”.
Na apresentação da moção, o deputado municipal da IL António Fonseca destacou “de que serve ser gratuito se não há?”, para destacar que “a gratuitidade, por si só, não cria mais autocarros, mais motoristas, mais horários, mais frequência ou maior cobertura” e defender que “o debate deve estar centrado na qualidade e disponibilidade efetiva do serviço”.
Como exemplo, apontou a realidade de localidades onde a existência formal de uma ligação não significa necessariamente que esta responda às necessidades quotidianas da população, “O problema dessa pessoa não é o preço da viagem. É não existir uma oferta adequada às suas necessidades.”
A moção aprovada recomenda, por isso, que a Câmara “faça uma análise freguesia a freguesia e período horário a período horário, identificando os locais e momentos em que a oferta é insuficiente, com particular atenção às ligações entre as freguesias e a cidade e às deslocações para emprego, educação, saúde, comércio e serviços”.
A proposta prevê ainda “a avaliação do reforço da oferta aos fins de semana, em períodos não escolares e no início e final do dia, sempre que a procura e as necessidades identificadas o justifiquem”.
Na preparação da próxima concessão, a IL propôs também que “sejam estabelecidos indicadores objetivos e mensuráveis para avaliar a frequência, cobertura territorial, adequação dos horários, pontualidade, número de passageiros, custo por passageiro, taxa de ocupação e satisfação dos utilizadores”.
A moção recomenda igualmente que “sejam comparados diferentes modelos de financiamento e tarifação, avaliando quanto custa cada opção ao Município e aos utilizadores e, sobretudo, qual a capacidade de cada modelo para permitir mais oferta, mais frequência e maior cobertura”.
António Fonseca afirmou que “trata-se de escolher entre pagar simplesmente as viagens ou investir para que exista um serviço que as pessoas efetivamente possam e queiram utilizar”.