António Tavares
Editorial
Esta quarta-feira, 12 de julho, é assinalado o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. Um tema que, por sinal, não é de fácil abordagem e muito menos linear, resultado da interpretação que pode ser feita no que respeita ao que é ou não trabalho infantil, ou quando ele é aceite ou não.
Não há a menor dúvida que um pouco por todo o Mundo, com destaque para alguns países, o trabalho infantil mal pago, sem condições, de pura exploração de mão de obra é uma realidade atroz. São milhões de crianças que não têm direito a ser crianças, a brincar, ou sequer a ir à escola para terem a educação que merecem, limitando-se a cumprir horários de trabalho, na maioria das situações exagerados.
Mas, depois há outro trabalho, que por ser feito por crianças, também não deixa de ser trabalho infantil, mas que está a salvo das críticas. Exemplo disso são as crianças/atores que participam em filmes e telenovelas, são as crianças/modelos, são as crianças que entram em campanhas publicitárias, são as crianças que são cantores e muito mais.
Crianças que ao contrário das anteriores ganham fortunas e têm excelentes condições de trabalho, mas como o fazem no mundo dito civilizado, já não são alvo das críticas apontadas ao trabalho infantil, embora também sejam frequentemente alvo de exploração, por exemplo pelos pais ou pelos seus agentes.
Ou seja, temos um Mundo e duas realidades e a pergunta que fica é: afinal trabalho infantil não é quando uma criança trabalha?