Edição nº 1850 - 26 de junho de 2024

Maria Helena Ventura
António Salvado recordado em Oeiras

Ontem, dia 22 de Junho, com início às 17 horas, falou-se de António Salvado e de Poesia numa sessão na Livraria Municipal Verney, em Oeiras, promovida pela Associação Luchapa e animada por música e leitura de poemas.
O orador principal era seu Amigo próximo – José Dias Pires – político, académico e também Poeta. Pelo meio das confidências de partilha de ideias entre ambos, até sobre o conceito de Poesia, falou do POETA com a proximidade despretensiosa, mas exaustiva, que muitos anos de Amizade justificam.
Que António Salvado nunca definira Poesia, por achar que ela não se podia definir. E como poderia, se ele era a própria POESIA? A mulher Maria Adelaide Salvado, a sua Musa, o filho de ambos como ela ali presente, Pedro Miguel Salvado, ambos académicos também, melhor do que ninguém o poderão confirmar.
António Salvado viveu dentro da Poesia a vida toda, desde o primeiro livro A FLOR E A NOITE em 1955 com apenas 18 anos, até quase ao final dos seus dias. Toda gente, dentro e fora das fronteiras nacionais, conhece este Poeta de tantas e tão belas composições que enaltecem o privilégio da vida, mesmo quando falam da iminência da morte.
Talvez já tivessem lido notas sobre a sua biografia desde o nascimento em Fevereiro de 1936, até ao falecimento a 5 de Março de 2023, o amor à terra natal que o faria regressar para leccionar no Liceu Nun’Álvares, onde fizera o Ensino Secundário e depois, de 1990 até final da vida activa, na Escola Superior de Educação da mesma cidade.
António Salvado é um dos maiores Poetas do nosso Tempo, mas nem todos terão tido o privilégio de conhecer a sua dimensão humana, de craveira superior, cidadão de afectos pelas pessoas, pela Natureza, pelo património. Daí o seu envolvimento com o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, como seu Director-Conservador.
Sem nunca procurar a exaltação do nome, a notoriedade apressada de tantos sem obra e sem valor, tem hoje o nome associado a um Prémio de Poesia que arrasta até Portugal nomes de muitos cantos do Mundo, onde é respeitado. Que o digam os grandes Poetas Alfredo Pérez Alencart, da Universidade de Salamanca e João Rasteiro, da Universidade de Coimbra, de quem ouvimos dois belíssimos poemas a enaltecer, com devoção, o seu talento e humanismo.
Nos caminhos que, em sentido inverso, me trouxeram de Coimbra para Lisboa com a mesma idade, anos mais tarde, e donde nunca mais saí, muitas vezes os nossos trilhos poéticos se cruzaram, publicando nos mesmos suportes.
Lembro-me do Jornal dos Poetas e Trovadores onde, com a simplicidade dos GRANDES, publicava, com outros Poetas de semelhante dimensão. E no entanto era no mesmo espaço que os pequenos, como eu, ensaiavam os primeiros passos. Não é só uma memória, é uma lição de vida da qual retenho preciosos ensinamentos.
Aqui deixo esta pequena nota da maior admiração pelo Poeta, pelo Cidadão, pelo Pedagogo, extensíva à Família que tão amorosamente lhe prolonga a vida, divulgando a sua Poesia.
ANTÓNIO SALVADO continua entre nós, na luz de uma obra GRANDIOSA.
Maria Helena Ventura (Professora, escritora, poeta) 23/06/2024

26/06/2024
 

Outros Artigos

Em Agenda

 
25/07
Feira Despacha BagagemPraça 25 de Abril, Castelo Branco

Gala Troféus Gazeta Atletismo 2024

Castelo Branco nos Açores

Video