João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
ONTEM FOI UMA BOA NOITE PARA A DEMOCRACIA, roubo o título de um texto de opinião de Pedro Norton no Público. Foi a vitória anunciada pelas sucessivas sondagens publicadas durante a campanha da segunda volta. A surpresa para alguns, terão sido os números confortáveis da vitória de António José Seguro, que se propunha defender os valores democráticos e humanistas da República.
O Presidente eleito é um garante da Democracia, do exercício das funções com independência e decência, da estabilidade política e social, sem se eximir das responsabilidades de acompanhar a governação do País, com tudo o que isso representa. E, como Seguro sublinhou no discurso da vitória, não temos dúvida que vai ser o Presidente de todos, todos, todos os Portugueses, bem distinto do outro candidato que se assumiu sempre como candidato a presidente de fação. Contra quem fosse de esquerda ou socialista mesmo moderado, contra o que ele considera de elites, contra o sistema, conceito que, esmiuçado, não é mais que o regime que vigora desde 1974.
Foi uma boa noite para a Democracia, porque nos reconfortou a certeza de que, quando ela está em perigo, os Portugueses dizem presente, mesmo debaixo de temporal e destruição e nem que em bote tenham de ir votar. Foi uma boa resposta aos que agoiravam uma a taxa de abstenção bastante mais alta do que a verificada. Dois terços dos Portugueses que foram às urnas, da direita democrática, centro direita até à esquerda de variados matizes, votaram pela Democracia. E eles, não tenham dúvida, são a linha vermelha à ascensão da extrema direita, a tal linha vermelha que tantos responsáveis políticos têm feito esbater.
Sem surpresa, o candidato da extrema direita populista disse aquilo que todos sabiam que ia dizer. Gritou vitória, que perdeu a presidência mas ganhou a liderança da direita. Mais um exemplo do mundo virtual em que parece (ou finge) viver. Pois se, numa corrida a dois, com um candidato socialista, mesmo moderado, não conseguiu atrair para as suas ideias mais que a terça parte dos eleitores, como será quando estiver a concorrer em eleições Legislativas com outras forças políticas da área da direita? Por muito que lhe custe, por muito que se ajoelhe, se benze e suplique a Deus, talvez tenha atingido o teto de crescimento do seu partido. Ele quer ser o líder da direita, mas a direita não o quer. Foi o que lhe disseram os Portugueses no dia 8 de fevereiro, uma boa noite para a Democracia.