Edição nº 1941 - 8 de abril de 2026

Quercus alerta para risco de contaminação do Rio Zêzere

A Quercus alerta, em comunicado, para “o risco de contaminação do Rio Zêzere com resíduos tóxicos da extração mineira” e pede “mais fiscalização à qualidade da água”.
No comunicado é pode ler-se que “depois de em janeiro passado ter ocorrido um novo colapso da barragem de lamas das Minas da Panasqueira, importante centro mineiro na região da Beira Baixa”, a Quercus “insta as autoridades competentes a reforçar a monitorização e fiscalização ambiental perante o risco de escorrências e contaminação de recursos hídricos essenciais no abastecimento público de água”.
É referido que “as fortes chuvas que se fizeram sentir no início do ano provocaram um novo desabamento na estrutura de rejeitados desta exploração mineira, resultando no arrastamento de uma considerável quantidade de resíduos inertes tóxicos para os cursos de água próximos, nomeadamente a Ribeira de Cebola, um afluente do Rio Zêzere. Em causa estão metais pesados altamente tóxicos como o chumbo e o arsénio, decorrentes da atividade mineira, e que só por si são motivo mais do que suficiente para a existência de fiscalização mais meticulosa e publicamente acessível. A sua presença, aliás, foi também detetada nas margens do Rio Zêzere, fruto da eliminação das águas residuais vindas do processo mineiro”.
De acordo com a Quercus “este episódio motivou, aliás, a suspensão da captação de água num ponto de abastecimento local e impulsionou a necessidade de análises para controlo da qualidade da água por parte da Câmara da Covilhã”.
Para o Centro de Informação de Resíduos da Quercus, esta situação “levanta legítimas preocupações sobre potenciais impactes na segurança da qualidade da água para consumo público, relembrando que a Barragem de Castelo do Bode, no Rio Zêzere, é responsável pela água que abastece a área da Grande Lisboa”.
Por isso a Quercus exige que “a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a garantir a resolução do passivo ambiental já causado pela existência prolongada desta exploração mineira há mais de um século e pelo recente colapso da barragem de lamas do complexo; a APA e a ERSAR a efetuarem estudos periódicos da qualidade da água em diversos locais a jusante das Minas da Panasqueira, bem como colheita anual de amostras biológicas vegetais e humanas em aldeamentos locais, incluindo em aldeias já consideradas fora da zona afetada pelos impactes ambientais, por forma a cumprir com as suas obrigações legais, de verificar e garantir o estado de saúde da população; a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) a assegurar a inspeção da atividade atual deste complexo mineiro, por forma a garantir conformidade com as atuais leis de proteção ambiental e de saúde pública; a Beralt Tin and Wolfram Portugal, gestora atual das Minas da Panasqueira, a efetuar trabalhos de tratamento e remediação das escombreiras de modo a garantir a segurança das populações e evitar futuras situações similares, aumentar a capacidade da ETAR para que possa tratar todos os efluentes procedentes das atividades mineiras locais, efetuar a manutenção mensal das tubagens nas quais circulam as águas residuais tóxicas, devido ao seu alto risco de corrosão e fugas”.

08/04/2026
 

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