Edição nº 1949 - 3 de junho de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

POR DECISÃO da Organização das Nações Unidas (ONU), instituído logo a seguir à Primeira Guerra Mundial, como necessidade urgente de defender as crianças no pós-guerra, em todos o Mundo se celebra o Dia Internacional da Criança. Em diferentes dias, porque a Organização considerou essencial que cada país escolhesse a data que considerasse mais apropriada à sua realidade cultural e tradições. Por isso, e a título de exemplo, a França e Reino Unido celebra-o a 20 de novembro, no Brasil a 12 de outubro e nós, como a maioria dos países lusófonos a 1 de junho.
E seriamos felizes de pudéssemos escrever, esta semana o apontamento em tons do otimismo de quem vive num mundo perfeito pintado pelas palavras do poeta “grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças”. Um mundo onde as crianças fossem tão felizes, que pudessem sonhar
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer! 
(Fernando Pessoa, Cancioneiro, excerto do poema Liberdade)
Mas essa possibilidade é mesmo um sonho. Não existe um Mundo perfeito. E no Mundo que construímos, as crianças são as mais afetadas pelas desigualdades sociais, pela pobreza. Em Portugal, a pobreza infantil é uma preocupação constante. Um relatório agora publicado, coordenado pela economista Susana Peralta (Portugal, Balanço Social 2025), refere que uma em cada 20 crianças pobres teve fome e não comeu por falta de dinheiro e que metade não teve dinheiro para participar de forma regular em atividades extracurriculares ou de lazer.
Mas se a pobreza já de si é fragilizante, pior ainda é viver em território de guerra, sob ameaça permanente de bombardeamentos. Onde as mulheres e as crianças são as vítimas maiores. Nas intermináveis guerras civis e tribais de África são a fome, a morte e as violações que empurram famílias para a migração e para o Mediterrâneo feito cemitério. Na guerra da Ucrânia, a tal que Putin ganhava em três dias e Trump resolvia em 24 horas, até janeiro de 2026, de acordo com os dados oficiais verificados pelas Nações Unidas - especificamente através do Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) terão morrido, quase 800 crianças.
Na guerra do Irão, o atoleiro em que Trump meteu o Mundo, que começou dia 28 de fevereiro, simbolicamente, diremos nós, com o ataque americano a uma escola iraniana que matou 168 crianças.
Na destruição total com laivos de genocídio na guerra de Gaza, onde a UNICEF estima que mais de 50 mil crianças terão sido mortas ou feridas. Esta é uma guerra que nos é servida ao almoço e ao jantar nos telejornais com imagens chocantes, de crianças a vaguear em bairros completamente arrasados pelos bombardeamentos israelitas que deveriam ferir as consciências do Mundo ocidental, e dos seus dirigentes. Ou as imagens chocantes de crianças a estender a gamela por um pedaço de sopa aguada que vai ser, se tiver sorte, a única refeição do dia… O repórter de guerra estava lá, fixou o momento, que nos incomodou estando nós tão bem instalados no sofá, a digerir o jantar. As crianças são o melhor do Mundo. Da nossa parte temos de as proteger do Mal, ajudá-las a crescer saudável física e mentalmente, para as integrar numa sociedade e numa geração de que elas serão parte ativa e responsável.

03/06/2026
 

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