João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
OS TIROTEIOS NA AMÉRICA são recorrentes. Infelizmente com uma frequência que não pode surpreender seja quem for. Incluindo as autoridades policiais e responsáveis políticos desse país tão grande, também em contrastes e contradições. No que à segurança das populações diz respeito, que se pode esperar de um país que está condicionado por um poderoso lobby das armas, que defende como direito fundamental a posse individual de armas e tem prisioneiro o partido Republicano? Este direito à posse de arma está inscrito na Segunda Emenda à Constituição dos EUA, numa constituição que se mantém, com várias alterações no tempo, desde 1787 e que em alguns aspetos ainda contem princípios datados do tempo dos cowboys. Quando se podem comprar armas de guerra, armas bastante letais e sofisticadas, com um mínimo de limitações... Como a arma semiautomática que um jovem de 18 anos comprou numa loja de Nova Iorque para cometer na cidade de Buffalo o assassínio em massa de pacatos cidadãos, uma prática de que ele não fazia segredo ser admirador. Mas este ato estudado e pensado do jovem não aconteceu por acaso. Integra-se em toda uma estrutura ideológica, de extrema-direita e racista que ele perfilha, num movimento que cresceu bastante à sombra tutelar de Trump. O tiroteio aconteceu num supermercado em Buffalo, estado de Nova Iorque, e deixou um rasto de 10 mortos e três feridos graves. O supermercado localiza-se num bairro habitado por uma população maioritariamente negra, por isso não admira que as vítimas sejam negras na quase totalidade. Este foi o 198º tiroteio em massa que aconteceu só em 2022, dos quais já resultaram até agora mais de sete mil vítimas mortais. Como Biden referiu, o ódio permanece uma mancha na alma dos EUA. Infelizmente, até pelo efeito de mimetismo, e enquanto se puderem comprar armas como quem compra um par de sapatos, o ódio vai continuar e ensanguentar este grande país.
POR ESTES DIAS, dois países nórdicos com fronteiras com a Rússia, a Finlândia e a Suécia, em consequência do ataque russo à Ucrânia decidiram procurar a segurança de pertencer à NATO, na certeza de que um ataque às suas fronteiras será sempre respondido com as forças dos atuais trinta estados pertencentes a esta organização de defesa. O pedido de adesão, tem como suporte além da maioria das forças políticas e governo, também a opinião pública. O caso sueco é paradigmático. Um país com mais de 200 anos de tradição de neutralidade, onde há pouco mais de três meses apenas 30 por cento dos suecos defendiam a adesão, hoje são já 70 por cento. Esta importante e profunda alteração geoestratégica é mais uma derrota para Putin. Com uma guerra em vias de ser perdida, consegue ainda a proeza de fazer reviver uma organização que tem como inimiga e que já estava um pouco moribunda. Que muita gente, na perspetiva da paz eterna na Europa, já considerava mesmo caduca. É o que acontece a um autocrata afastado da realidade, rodeado de conselheiros que lhe dizem apenas o que ele quer ouvir.