Edição nº 1804 - 2 de agosto de 2023

FESTIVAL MAIS SOLIDÁRIO É FONTE DE RECEITAS PARA MANTER A MISSÃO
Associação Quatro Corações garante refeições quentes a quem delas precisa

A Associação Quatro Corações - Antena de Castelo Branco, continua, diariamente, de segunda a sexta-feira, a fornecer refeições quentes a quem delas necessita, mantendo a sua missão solidária. Para dar a conhecer o trabalho que desenvolve a Associação abriu, na passada quinta-feira, 27 de julho, as portas da cozinha instalada na antiga Escola do Cansado, onde voluntários desenvolvem a sua atividade, rodeados de alimentos, tachos e panelas.
O presidente da Associação Hélder Martins, realça que esta iniciativa teve como objetivo “desmistificar qual é a missão da Associação e a importância que o Festival Mais Solidário, que este ano se realiza de 11 a 13 de agosto, tem para que esta seja alcançada”.
Hélder Martins avança que “há três anos que estamos a confecionar refeições” e adianta que estas “variam, conforme o número de beneficiários e a disponibilidade financeira”, sendo que, “anualmente, disponibilizamos 350 mil refeições quentes” e sublinha que “é para isto que o Festival Mais Solidário serve, porque os alimentos custam dinheiro”, ficando de lado a vertente da sua confeção, uma vez que é feita por voluntários.
O presidente da Associação adianta que para ser possível desenvolver a sua atividade contam com apoios, apontando para o “Festival Mais Solidário; projetos a que nos candidatamos; as quotas dos sócios da Associação, que são de 12 euros anuais; e os donativos de bens alimentares”.
Estas acabam por ser as receitas, mas por outro lado, há as despesas, que incluem “a compra de produtos alimentares, a eletricidade e o gás, e que são na ordem dos 800 a 900 euros mensais”.
Por isso toda a ajuda é bem-vinda e Hélder Martins elogia o papel desenvolvido pela Associação do Bairro do Cansado que “está connosco desde o primeiro dia, assegurando diariamente a distribuição das refeições”.
Nesta vertente, a Associação Quatro Corações, no entanto, tem agora um novo apoio, que resulta de “uma parceria com a Xicos, que também faz a distribuição de refeições”.
Hélder Martins destaca também a situação difícil que muitas pessoas enfrentam, para frisar que “as pessoas ou pagam a renda, ou comem”.
É para ultrapassar essas dificuldades que a Associação Quatro Corações foi criada e Hélder Martins deixa o repto para que “as pessoas não tenham vergonha de pedir ajuda à Associação” e deixa a garantia que “quem precisar de uma refeição quente, não sai daqui sem ela”.
Alerta também que quando “alguém precisa de ajuda, quanto mais cedo vier à Associação melhor, porque menos se afundam, uma vez que quando se afundam muito é mais difícil ajudar”.
No entanto, também chama a atenção para o facto que “para ir mais longe, as entidades têm que estar atentas e apoiar, de modo a termos mais alimentos para fornecer mais refeições”.
Hélder Martins destaca, pelo meio, que o apoio disponibilizado pela Associação não se limita às refeições, uma vez que também “falamos com as pessoas e ouvimo-las, o que é importante, e, além disso, através da rede de voluntariado, encaminhamos algumas pessoas para um emprego”.
Outro dado a ter em consideração é que “temos mais gente a bater à porta agora que na altura da pandemia de COVID-19”, pelo que reitera que toda a ajuda é bem-vinda e deixa o desafia para que “as pessoas se juntem a quem ajuda. Atualmente, temos 24 voluntários, mas precisamos sempre de mais. E temos 2.100 sócios, mas quantos mais forem melhor”, sendo que as inscrições, para qualquer destas duas situações, bem como de beneficiários, podem ser feita em 4coracoes.org.
Na tarde da passada quinta-feira, 27 de julho, a azáfama na cozinha era grande, pois nesse dia foram entregues 35 refeições quentes, assim como foram apoiadas 45 pessoas via cabazes alimentares, tudo isto acompanhado de bilhetes para o Festival Mais Solidário que, reforça Hélder Martins, “além de angariar dinheiro para a Associação, uma vez que cada bilhete é convertido em cinco refeições quentes, também divulga a Região”.
Por seu lado, o presidente da Associação do Bairro do Cansado, Francisco Gomes, assegura que “este é um trabalho que nos enche o coração”. Tudo, porque “a parte social é muito importante e cada dia há mais pessoas a precisar, infelizmente. Da nossa parte a nossa ajuda passa por termos todos os dias um diretor que faz a distribuição das refeições”.
Já na cozinha, uma das voluntárias, Ana Carrega, recorda que “confecionamos, diariamente, de segunda a sexta-feira, o jantar. Hoje (27 de julho) é para 35 pessoas e têm que estar prontas para sair às 17h30”, revelando que esta “é uma rotina diária, muito mecanizada”.
Ana Carrega garante que “no voluntariado recebemos mais do que aquilo que damos”, para destacar que “temos a noção que estas refeições fazem a diferença na vida de quem as recebe. Infelizmente, temos famílias que recebem esta refeição quente e sabemos que, por dia, não têm condições para ter outra refeição quente, portanto, ela faz toda a diferença na vida de quem a recebe”.
Junto aos fogões estava o chef Valter Ramos, que afirma estar na Associação “desde o nascimento dela” para adiantar que “hoje a ementa é sopa de feijão-verde e jardineira de borrego”.
Valter Ramos não tem a menor dúvida em afirmar que o trabalho da Associação é para continuar, porque “todos nós temos conhecimento da nossa cidade. Todos nós sabemos que há muitas famílias que se não fosse desta maneira, não sei como sobreviveriam. Esta é uma realidade. Há muita pobreza escondida. Há muitas pessoas que têm muita vergonha em pedir ajuda. O trabalho da Associação é ir à procura dessas pessoas que mais vergonha têm e chegarmos a elas, para passarem melhor”.
António Tavares

02/08/2023
 

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