Edição nº 1851 - 3 de julho de 2024

AOS 97 ANOS
A despedida do mestre Cargaleiro

O mestre Manuel Cargaleiro morreu no passado domingo, 30 de junho, em Lisboa, aos 97 anos. O artista plástico, que se notabilizou como ceramista, pintor, gravador e escultor, nasceu a 16 de março de 1927, em Chão das Servas, no Concelho de Vila Velha de Ródão, e repartiu a sua vida entre Portugal e França. O funeral do mestre Manuel Cargaleiro realizou-se esta terça-feira, 2 de julho, na Costa da Caparica.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tornou público “o meu pesar pela morte de Mestre Cargaleiro, que hoje nos deixou. Tendo vivido em Paris desde 1957, Manuel Cargaleiro nunca deixou que o cosmopolitismo significasse desenraizamento. Prova disso é a memória das imagens e das cores da Beira Baixa na sua obra, nomeadamente a lembrança das mantas de retalhos; prova disso igualmente a empenhada presença do artista na região onde nasceu, através da Fundação e do Museu Cargaleiro. Ceramista e pintor, mas também desenhador, gravador e escultor, Mestre Cargaleiro deixou a sua assinatura em igrejas, jardins ou estações de metro, e em inúmeras peças tão geométricas e cromáticas como as de outros artistas cosmopolitas que viveram em Portugal. Por isso, tendo estado fora décadas, continuou a sentir-se, e continuámos a senti-lo, um artista português”.
Marcelo Rebelo de Sousa recorda que “de Cargaleiro disse Maria Helena Vieira da Silva que possuía a técnica perfeita, a medida certa, as cores raras; e disse Álvaro Siza Vieira que evidenciava uma alegria invulgar no panorama artístico português. Tendo-o condecorado, em 2017, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2023, com a Grã-Cruz da Ordem de Camões, o Presidente da República teve a oportunidade de homenagear essas singularidades em breve mensagem para o catálogo da última exposição que fez, texto no qual saudou, e renova agora a saudação, a sua obra jubilosa e luminosa, fiel ao passado e ao presente, a um tempo que é o nosso e que também foi o seu”.
Realça ainda que “o Presidente da República nunca esquecerá o último encontro com Mestre Cargaleiro, semanas atrás, na casa deste em Lisboa, em que continuava a sonhar projetos para o futuro e a acreditar na Vida, sempre prestigiando Portugal”.
Por seu lado, o Primeiro Ministro, Luís Montenegro, realça que “foi com profundo pesar que tomei conhecimento da morte do Mestre Manuel Cargaleiro. Artista multifacetado, conhecido do grande público sobretudo pela sua obra como pintor e ceramista, Cargaleiro dominou a cor e a geometria de forma marcante, imprimindo à arte contemporânea portuguesa um traço inconfundível. Ao longo da sua carreira, as suas criações expressaram sempre a sua visão poética do Mundo, construindo um legado reconhecível por diversas gerações de Portugueses. Sendo um homem do mundo, foi também um cidadão sensível às suas origens, tendo escolhido Castelo Branco para instalar o seu Museu e a sua coleção, permitindo a tantos visitantes um conhecimento mais vasto da sua obra. Deixa um legado que muito prestigia a arte portuguesa e Portugal”.
Em comunicado é ainda adiantado que “em acordo com sua excelência o Presidente da República, o Governo vai aprovar a declaração de luto nacional no dia em que se realizem as exéquias de Manuel Cargaleiro (2 de julho)”.
A Entidade Regional do Turismo do Centro de Portugal, em comunicado, “associa-se aos votos de profundo pesar pelo desaparecimento do mestre Manuel Cargaleiro, proeminente figura da cultura nacional, que nos deixou hoje aos 97 anos:
Recorda que “o mestre pintor e ceramista manteve uma ligação muito forte com a Beira Baixa onde nasceu, apesar de ter vivido grande parte da sua vida em França. Exemplo maior dessa ligação é a Fundação com o seu nome, que criou em 1990, em Castelo Branco, e que posteriormente evoluiu para Museu Cargaleiro. Este museu, que exibe em permanência parte significativa de sua obra, é uma importante referência cultural e turística na região Centro de Portugal”.
O presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira, em comunicado “expressa profundo pesar e consternação pela morte do mestre Manuel Cargaleiro, personalidade ímpar da cultura portuguesa que hoje (30 de junho) nos deixou” e salienta que “natural do Chão das Servas, Concelho de Vila Velha de Ródão, onde nasceu em 1927, apesar de ter vivido grande parte da sua vida em Paris, nunca esqueceu as raízes beirãs, sempre presentes na sua obra e na ligação à terra natal”.
Luís Pereira acrescenta que “pintor, ceramista, e escultor, o mestre Manuel Cargaleiro distinguiu-se não só pela singularidade, riqueza e relevo da sua obra, com que alcançou reconhecimento nacional e internacional, mas também pela sua generosidade e humildade, que marcaram todos aqueles que com ele contactaram”.
O autarca deixa “uma palavra de solidariedade e conforto à esposa do mestre Cargaleiro, Isabel Brito da Mana, e estende as condolências à restante família e amigos”.
Além disso a Câmara de Vila Velha de Ródão decretou três dias de luto municipal, com início a 1 de julho.
A Câmara de Castelo Branco realça que “lamenta e manifesta profundo pesar pelo falecimento do Mestre Manuel Cargaleiro” e sublinha que “é unanimemente considerado como um dos mais relevantes artistas portugueses e que através da relevância da sua obra tem ampliado e internacionalizado a arte contemporânea portuguesa, numa permanente proximidade com a identidade da Beira Baixa. Esta relação de cumplicidade artística e afetiva é materializada através da ímpar fragmentação pictórica da forma, da luz e da cor que amplia e transcende as dimensões do visível, do mundo e do outro”.
A autarquia Albicastrense assegura que “chama a si o compromisso de continuar a ser a sua casa expositiva, perpetuando a relevância da sua obra e vida” e avança que “vai decretar amanhã, segunda-feira (1 de julho), três dias de luto municipal pelo falecimento do Mestre, em que a bandeira do Município será colocada a meia haste”.
António Tavares

03/07/2024
 

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