Edição nº 1930 - 21 de janeiro de 2026

Lopes Marcelo
É NORMAL? UM NOVO NORMAL?

Por vezes as inquietações, as perguntas, o que não compreendemos da realidade do dia a dia é tão forte que nos constrange e desconforta. Claro que se pode aceitar, mais ou menos conscientemente, por rotina ou cansaço, por fechar os olhos e encolher os ombros numa bolha de comodismo ou indiferença que o tempo vai normalizando. Mas, quando se trata da vida, da saúde das pessoas em perigo, mesmo que ainda não tenha batido à nossa porta é impossível não nos sentirmos fragilizados, já que mais tarde ou mais cedo poderemos ser envolvidos nós ou nossos mais próximos. É com inquietação e fragilidade que hoje partilho a reflexão sobre a área da saúde, do nosso Serviço Nacional de Saúde, não em termos de opinião pessoal, mas com factos.
Um relatório recente aponta e quantifica a carência de médicos de família.
A estatística de partos em ambulâncias é perturbadora.
Serviços de urgência. Onde? Quando? Como? Horas e horas de espera…
Mais de metade das consultas foram efectuadas depois de ultrapassado o prazo legalmente previsto.
Cresceu para o dobro o recurso a automedicação.
São aos milhares os casos de não alta social, ficando as camas ocupadas nos hospitais.
A rede de Unidades de Apoio Continuado é manifestamente insuficiente.
A rede de Lares e Centros de dia enquadrados na Segurança Social é limitada e insuficientemente financiada. Afirmam que os valores e os critérios não são revistos há três anos.
Milhares de profissionais de saúde assinam termos de escusa de responsabilidade, por falta de meios e de condições.
O recurso a horas extraordinárias dos profissionais de saúde é rotina do dia a dia.
Descoordenação entre os parceiros do Serviço Nacional de Saúde. Afinal há falta de macas nos hospitais para receber os doentes urgente, ou não? As ambulâncias ficam ou não retidas nos hospitais?
A emergência médica tem falta de meios e de recursos humanos.
Aqui, na nossa cidade, desqualifica-se um Serviço médico que os responsáveis locais dizem ter todas as condições, mas os centrais não reconhecem…
Num concurso para médicos de família a nível nacional, o número de vagas para a nossa região já anteriormente por todos reconhecidas como necessárias, foi centralmente reduzida para metade. Porquê?
Necessidades, carências gritantes que o lençol do Orçamento Geral do Estado não tapa. Dizem-nos não pode dar para tudo. Dizem-nos que mais vale haver excedente orçamental! Sobrar dinheiro! Que o problema da saúde não é problema de meios, de dinheiro!? Então do que é? De mais competência? De maior e melhor organização? Então senhores governantes, senhores deputados que nos representam, organizem-se, aprendam com os erros, com humildade e sensibilidade. Senhores autarcas que são a nossa voz, não se resignem. Não demorem mais, que a vida é urgente. Não salvar, não tratar a tempo e horas devia ser anormal. Nunca normal!
Diz o povo que o pior cego é o que não quer ver. E que em terra de cegos quem vê é que é deficiente. E os deficientes somos nós? Por quanto tempo?
Pacientes, enquanto doentes, sofredores, já todos fomos e, provavelmente, voltaremos a ser. Agora, pacientes, enquanto resignados, suportando com calma, com normalidade…

21/01/2026
 

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