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Edição nº 1769 - 30 de novembro de 2022

CULTURA
Já leram a poesia de três mulheres-poetas do Século XVIII?

A palestra-recital Já leram a poesia de três mulheres-poetas do Século XVIII?, por António António Salvado, que estava agendada para dia 26 de novembro, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, foi adiada, pelo que se realiza no próximo sábado, 3 de dezembro, a partir das 15 hora, no mesmo local.
Representantes daquilo a que a história literária chama de pré-romantismo, exemplificando pois a transição do classicismo para o movimento romântico, Catarina de Lencastre (1799-1824), Francisca de Paula Possolo (1783-1838) e Leonor de Almeida (1750-1839; conhecida por Marquesa de Alorna) enformam, pela vida e pela obra, de largo interesse naquilo a que se refere, de maneira positiva, à conjugação de um itinerário cheio de peripécias com uma poesia que soube apreender nesse mesmo itinerário existencial experiências vividas e sentimentalidades alegres e, por vezes bem dramáticas.
Catarina de Lencastre, deixando-se influenciar pela ideologia do Século das luzes e da razão (o Século XVIII), a este ideário se manterá fiel durante toda a sua vida (o que alguns dissabores lhe terá causado), ao mesmo tempo que, no estrangeiro, tomara contacto com o movimento romântico. Mas, ao lado de composições laudatórias de mártires do absolutismo, muitas outras composições suas desenvolvem, com mestria, temas como amor, a luta entre a razão e o sentimento, a apreensão da beleza da natureza, outros temas de teor semelhante.
Francisca de Paula Possolo, novelista, dramaturga, poeta e tradutora (traduziu o Corine, de Madame de Stael, obra que tanta influência teve nos autores de pendor romântico), foi amiga íntima da Marquesa de Alorna, mereceu largos encómios de autores seus contemporâneos. Pelos teatros e salões recitava poemas que refletiam o seu apego às ideias liberais. Francília, pastora do Tejo é o título do conjunto das suas composições, em relevante diversidade temática que vai dos louvores a personalidades ligadas a novas ideias até ao amor mais profundo, ao confessionalismo mais patético, à revelação de íntimos conflitos. Interessante o facto de alguma da sua poesia patentear também laivos de um ultrarromantismo, trespassado por lúgubres atmosferas.
A Marquesa de Alorna, talvez a mais notável das três poetisas, pertencendo à família dos Távoras, implicada no atentado contra Dom José I, conheceu a prisão (como a mãe e uma irmã), o que não impediu que fosse visitada, de muito nova, por vultos do seu tempo que não só lhe desenvolveram o gosto pela criação poética, como lhe ministraram conhecimentos científicos. Após a queda do Marquês de Pombal, e libertada, acompanhou o marido pela Europa (Viena e Londres), tomando então relação com as novas ideias românticas. Após a morte do marido e regressada a Portugal, acolheu em sua casa os novos talentos, entre os quais Alexandre Herculano que lhe devotará afeto até à morte da Marquesa. Senhora de imensa cultura (e apesar de algumas vicissitudes; a morte de uma filha, por exemplo), leitora atenta dos clássicos gregos, latinos e renascentistas, a obra muito diversa de Leonor de Almeida presta-se a uma análise de coordenadas quase ilimitadas. Aglutinando, e no que à poesia diz respeito, elementos clássicos com largas parcelas de substância puramente romântica, a poesia de Leonor de Almeida singulariza-se pela inultrapassável riqueza de conteúdos originais que, ainda em nossos dias, suscitam admiração.

30/11/2022
 

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