António Tavares
Editorial
O verão está aí em pleno, com calor quanto baste, férias na praia, concertos, festas em muitas localidades, mas, infelizmente, também com a praga do incêndios florestais. Uma tragédia que repete ano após ano, não só um Portugal, mas um pouco em todo o Mundo, ao que não será alheio o aquecimento global. Mas esse não é, garantidamente, o fator que está na origem dos incêndios florestais, uma vez que é sabido que 98 por cento têm origem humana. É verdade que as altas temperaturas, a seca, a baixa humidade do ar proporcionam as condições perfeitas para os incêndios se propagarem, rapidamente e de forma catastrófica. Mas, é de reforçar que o Homem é que está na sua origem, quer seja por comportamentos negligentes, quer por outros motivos, sejam eles a intervenção de pirómanos, ou de energúmenos que, sabe-se lá porquê, gostam de provocar a destruição e o sofrimento.
Muito se fala na prevenção, que sem dúvida é importante, mas até esta tem lacunas. A limpeza dos terrenos tem de se feita até final de abril. O garantido é que depois disso as ervas e mato crescem e volta tudo ao mesmo. A solução passa por uma segunda limpeza, mas se uma já tem preços incomportáveis para muitas pessoas, que dizer de duas? Por isso não restam dúvidas que é necessário criar apoios, sejam do poder central ou do local. Mais, é garantido que a limpeza não pode ser feita a 100 por cento em todo o País, mas também é verdade que são as entidades públicas a dar o exemplo.
Em tudo isto, o grande elogio vai, merecidamente, para os agentes de proteção civil, com destaque para os bombeiros voluntários que, abnegadamente, se sacrificam para defender os outros e os seus bens.