Edição nº 1811 - 27 de setembro de 2023

PARA DESENVOLVER PROJETOS ASSENTES NA OBRA DE ALFREDO KEIL, JOSÉ MALHOA E TÚLLIO VICTORINO
Sertã, Ferreira do Zêzere e Figueiró dos Vinhos assinam protocolo de colaboração

As câmaras da Sertã, Ferreira do Zêzere e Figueiró dos Vinhos assinam, esta quarta-feira, 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, um protocolo de colaboração, que tem como finalidade o desenvolvimento de projetos assentes na obra dos pintores naturalistas Alfredo Keil, José Malhoa e Túllio Victorino, marcando o arranque da colaboração dos três municípios e abrindo caminho a diversas ações e à criação de projetos de desenvolvimento turístico-cultural.
Os três municípios partilham um território histórico-cultural comum, marcado pelo vale do Rio Zêzere, que foi procurado, ao longo de séculos por vários artistas para inspiração e cenário de muitas obras, como é o caso do movimento pictórico naturalista. Alfredo Keil, José Malhoa e Túllio Victorino souberam interpretar, valorizar e ampliar o território através da sua arte, não só no concelho onde cada um se fixou, mas também nos concelhos vizinhos, na sequência dos fortes laços de amizade que criaram.
Alfredo Keil nasceu em Lisboa em 1850 e foi compositor, pintor, poeta, arqueólogo e colecionador de arte português. Foi o compositor do hino nacional português A Portuguesa. O seu percurso educativo decorreu na Alemanha, berço do romantismo. O regresso a Portugal, por ocasião do ultimato inglês, inspirou-o na composição de A Portuguesa. Pintava regularmente, sobretudo paisagens e interiores requintados. Em 1890, realizou uma exposição individual em Lisboa, bastante concorrida, na qual expôs cerca de 300 quadros. Foi o seu momento de consagração em Portugal. Alfredo Keil também escrevia, tendo publicado diversas obras de onde se destaca Tojos e Rosmaninhos (1908) obra inspirada nas lendas e tradições de Ferreira do Zêzere. Na Biblioteca Municipal Dr. António Baião, em Ferreira do Zêzere, existem 82 painéis de desenhos de Alfredo Keil realizados em vários locais daquele concelho, entre 1896 e 1903. Ali registou a carvão, as paisagens, as gentes, as festas e romarias, o povo e o trabalho agrícola, o Zêzere, os monumentos e as casas de habitação.
José Malhoa nasceu nas Caldas da Rainha a 28 de abril de 1855. Foi estudar para Lisboa aos oito anos e aos 12 entrou na Real Academia de Belas Artes de Lisboa, onde foi discípulo de Lupi, Prieto, Vítor Bastos e Anunciação. Obtendo no fim de todos os anos o primeiro prémio, concluiu o curso em 1875. Concorreu a pensionista do Estado no estrangeiro em 1874 e 1875, mas ambos os concursos foram anulados. Desiludido e decidido a não mais pintar, partiu pincéis e paleta e empregou-se como caixeiro na loja de confeções do irmão. Ao fim de seis meses, porém, começou a pintar A Seara Invadida, nos intervalos das refeições. Apresentou este quadro numa exposição em Madrid, obtendo grande sucesso. Acusado por uma senhora que o vira em Madrid de não aproveitar o seu talento nem o mostrar em Portugal, abandonou a loja onde trabalhara três anos para se dedicar definitiva e exclusivamente à pintura. As paisagens que pintava eram marcadas inicialmente pelos ensinamentos de Anunciação tendo-se aberto posteriormente à estética de Barbizon, embora nunca lá tenha estado. Foi nesse espírito naturalista que começou o longo percurso de exaltação da cor e da luz de Portugal, que traçou apaixonadamente, numa linguagem muito própria. Ainda nos anos 90 instalou em Figueiró dos Vinhos a sua segunda residência, o Casulo, onde, fascinado pela luminosidade local, realizou grande parte das cenas rurais que o celebrizaram. Malhoa foi pintor de paisagens, cenas de género ou de costumes, retratos, nus, saltando de um género para outro sem a mínima preocupação ideológica ou de estilo. Alegre e comunicativo, criou numa visão descontraída e otimista da vida uma imensa obra que o popularizou e na qual o País encontrou identidade. Recebeu encomendas de composições históricas para diversos locais entre outros, para o Supremo Tribunal de Lisboa, a Câmara de Lisboa, o Palacete Lambertini, o Palácio Burnay e o Museu de Artilharia de Lisboa. Além dos retratos das gentes do povo que figuram nos quadros de género, pintou inúmeros retratos da aristocracia. Foi um dos fundadores do Grupo de Leão, criado em 1880, e foi presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes desde 1918. Condecorado inúmeras vezes e distinguido com diversos títulos em Portugal e no estrangeiro, viu em vida avançar o projeto de um museu com o seu nome, que seria inaugurado seis meses após a sua morte. Morreu em Figueiró dos Vinhos a 26 de outubro de 1933.
Túllio da Costa Victorino nasceu em Cernache do Bonjardim a 14 de dezembro de 1896. Filho do abastado proprietário e político republicano, Alfredo Vitorino da Silva Coelho e de Alice Dias Costa, Túllio Victorino frequentou os primeiros estudos em Cernache do Bonjardim, antes de rumar a Lisboa, para ingressar na Escola Industrial Afonso Domingues.
O amigo e também pintor José Malhoa aconselhou-o depois a matricular-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde foi aluno de Columbano Bordalo Pinheiro, uma das suas principais influências. Nas férias em Cernache, entretinha-se a pintar e a desenhar os cenários para as peças de teatro, levadas à cena por atores amadores. Concluiu o curso na Escola de Belas-Artes do Porto, em 1919, tendo-se cruzado com outro dos seus grandes mestres, João Marques de Oliveira. Lecionou depois Desenho em alguns estabelecimentos de ensino, mas a paixão pela pintura estava já no topo das suas prioridades.
Os seus quadros foram apresentados em diversas exposições coletivas até que, em junho de 1929, inaugurou a sua primeira exposição individual, em Castelo Branco.
As suas paisagens e figuras de tipo regionalista foram muito apreciadas e o seu estilo pictórico começava a afirmar-se. Nos anos seguintes, realizou inúmeras exposições por todo o País, em cidades como Lisboa, Porto, Coimbra ou Tomar, e também no estrangeiro.
Em novembro de 1963, inaugurou a sua última exposição, realizada na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Com uma saúde já bastante debilitada recebeu, em 1964, o convite para sócio da International Arts Guild. Faleceu na sua casa-ateliê, em Cernache do Bonjardim, em 23 de março de 1969.
Alguns dos seus quadros estão hoje expostos em vários museus nacionais, como o Museu Nacional Soares dos Reis, Museu José Malhoa, Museu do Chiado ou o Museu Nacional Machado de Castro.

27/09/2023
 

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