PATRONO DE UMA ESCOLA ALBICASTRENSE E UM DOS PRINCIPAIS REPRESENTANTES DO MOVIMENTO DA ESCOLA NOVA
Nos 85 anos da morte do Albicastrense António Faria de Vasconcelos valorizemos o seu legado pedagógico
Celebramos no dia 2 de agosto, 85 anos da morte de António (de Sena) Faria de Vasconcelos (1880-1939), pedagogo Albicastrense, nascido no edifício da Farmácia Grave e cujos restos mortais repousam desde 2019 no Cemitério de Castelo Branco. Este insigne pedagogista foi um dos principais representantes do Movimento da Escola Nova, introdutor da orientação profissional (e escolar) no País, através da criação do Instituto Orientação Profissional (diretor entre 1926-1939), atenção à educação especial dos alunos com problemas escolares e com patologias, defensor da formação científico-pedagógica nos professores e da identidade da sua profissão, renovador das práticas pedagógicas com aplicação de novos métodos/estratégicas didáticas, de modo a converter a escola centrada nos interesses da criança.
São vários os contributos do seu pensamento e obra à História da Educação - História da Pedagogia ou História das Ideias Pedagógicas, por exemplo: Defensor da Educação/Escola ativa em que o aluno assume um papel central no processo de ensino-aprendizagem e daí as suas criticas ao ensino tradicional da época (à memorização) propondo metodologias valorizadoras da experiência, da observação, do método de descoberta e resolução de problemas e da participação dos alunos no ato pedagógico; Educação centrada na criança tendo em conta os seus interesses e motivações no período de infância e adolescência, respeitando as suas caraterísticas individuais e o ritmo do desenvolvimento e, daí ter recorrido aos fundamentos da psicologia, da pedologia e pedagogia experimental; Harmonização entre a Teoria-Prática, articulando saberes científicos com as atividades práticas, de modo a promover o desenvolvimento integral do indivíduo (parte intelectual, física, ético-moral e social), fruto da experiência em Bierges-Lez-Wawre (Bruxelas/Bélgica) entre 1912-14, onde experimentou 28,5 princípios dos 30 propostos pelo Bureau International dês Écoles Nouvelles (só não aplicou a coeducação porque estava proibida); Formação didática dos professores, com preparação científica e psicopedagógica, de modo que as suas ações não se limitassem ao domínio dos conteúdos, mas à inclusão competências de investigação, de observação, de reflexão e aplicação técnicas ou estratégias ativas aos alunos/turma; Avaliação e Orientação educativa, sendo pioneiro no uso da observação sistemática, a avaliação psicológica para compreender o desenvolvimento infantojuvenil e, por isso deu ênfase à orientação escolar e profissional de modo a ajudar o aluno a promover capacidades e escolher os percursos ajustados às suas aptidões; divulgador da pedologia em Portugal.
Na verdade este escolanovista Albicastrense conhecido internacionalmente (confundido como pedagogo belga por ir na Missão Belga- 1915, para realização da reforma de ensino em Cuba e Bolívia) foi um renovador da pedagogia contemporânea portuguesa, na base dos princípios da Escola Nova, valorizando a investigação científica aplicada à educação, de tal modo que participou na Proposta de Reforma de Ensino de João Camoesas, em 1923, não materializada mas recuperada (em parte) por Veiga Simão na proposta de 1973 e, depois pela Lei de Bases de Sistema Educativo (1986), sendo pois considerado por Adolfo Ferrière Pioneiro da Educação do Futuro (no prefácio do livro Une École Nouvelle en Belgique -1915). O seu legado contribui para a consolidação de uma escola (pública) aberta a todos os alunos, aos seus interesses, como espaço de formação integral, humanista e democrático. As suas estadias na Bélgica como estudante e professor (1902-14) na Suíça no instituto J. J. Rousseau com E. Claparède e Bovet, em Cuba (1915-17), Bolívia (1917-20) e depois em Portugal permitiu-lhe aplicar e experimentar uma renovação do ensino, defendendo a formação científica sólida e psicopedagógica nos educadores e professores, a aplicação de métodos e técnicas ativas, a reflecção sobre problemas escolares e pratica pedagógica e propondo formação contínua nos docentes para melhoria do ensino (atualização).
Estas ideias permanecem vigentes no modelo de formação de professores pois pretendi que o professor fosse investigador e reflexivo-crítico das suas práticas e ações, mediador de aprendizagens, metodólogo (vertente didática) e promotor do desenvolvimento integral dos alunos. De facto antecipou propostas educativas renovadoras, que são básicas no ensino centro no aluno com métodos ativos de ensino. Celebrámos na nossa cidade colóquios internacionais em 2019 e 2021 e várias outras iniciativas para aprofundar o pensamento e a atualização da obra de A. Faria de Vasconcelos desde atualidade e esperamos brevemente a inauguração da sua estátua, pela Câmara Municipal no largo onde nasceu. Os Albicastrenses devem sentir-se orgulhosos deste filho da terra dos seus contributos, pois é uma referência nacional e internacional no campo da Educação, de modo a compreendermos a evolução da formação e da profissionalização docente, da internacionalização da pedagogia portuguesa, da pedagogia científica na renovação do ensino e da educação na escola democrática.
Ernesto Candeias Martins