Monárquicos recordam a história dos bodos na Beira Baixa
O Movimento Monárquico de Castelo Branco, com o apoio da União de Freguesias de Monfortinho e Salvaterra do Extremo, organizou, domingo, no Pavilhão do Bodo, em Monfortinho, uma palestra subordinada ao tema Os Bodos da Beiras-Baixa, que teve como orador Florentino Beirão.
No encontro foi recordado que os bodos estão ligados ao sagrado, em honra ao Espírito Santo ou a algum santo. Em Alcains, Monfortinho e Salvaterra do Extremo fazem a confeção dos alimentos à vista de todos. Os ingredientes necessários são oferecidos à comissão de festas, tendo havido festeiros que prometiam vir a sê-lo se obtivessem algum benefício para as suas vidas
Em Alcains, nos anos 60, foram os mancebos da inspeção que deram continuidade à celebração da festa.
Em Monfortinho é a Câmara de Idanha-a-Nova que, atualmente, fornece as carnes para o bodo.
A origem desta prática remonta aos Celtas, ligada à agricultura, pelos que tinham tido boas colheitas e partilhavam com os outros. Depois vieram os Romanos que introduziram a palavra em latim VOTUM que deu origem a voto e depois a bodo.
Em Idanha-a-Velha existem muitos votos escritos na pedra, dirigidos a diversos deuses romanos, pois o divino tem muito a ver com o terreno para acorrer às necessidades da vida.
Na Beira Baixa quase todas as localidades têm uma capela dedicada ao Espírito Santo, cuja origem está associada aos Franciscanos. Séculos depois o culto mudou para Mariano, passando a ser Nossa Senhora da Conceição a Rainha de Portugal.
No Século XII a ameaça Castelhana e as pragas de gafanhotos deram origem a que as populações fizessem votos, construindo capelas. Em Manteigas chegou uma praga de gafanhotos, onde existe uma capela de Nossa Senhora dos Verdes, em que os gafanhotos foram todos cair ao manto de Nossa Senhora e as pessoas voltam a fazer bodo em agradecimento.
Em S. Miguel de Acha os gafanhotos foram ter a um silvado e os habitantes prometeram construir uma capela para não se repetir a praga. Nossa Senhora da Consolação leva as pessoas a pedir consolação das amarguras das pragas.
Organizar o bodo, que é função de uma comissão escolhida pelo povo, requer árduo trabalho durante um ano inteiro para ser cumprido em apenas alguns dias de festa, cerca de 10 dias depois da Páscoa.