Edição nº 1737 - 13 de abril de 2022

LINHA DA BEIRA BAIXA
Comboio rasga caminho para o desenvolvimento turístico

A Linha da Beira Baixa foi palco, no passado fim de semana, 9 e 10 de abril, de duas viagens turísticas, no âmbito do Rail Fest – Programação Cultural em Rede. A proposta é conhecer a centenária Linha da Beira Baixa, a bordo das características carruagens Schindler, brancas e vermelhas, que datam da década de 40 e início da década de 50 do século passado e que foram recuperadas, estando a ser operadas na Linha do Douro. Isto, a par de dar a conhecer a região percorrida pelo comboio, com destaque, claro está, para o Rio Tejo.
Sábado, 9 de abril, realizou-se a primeira viagem, com a composição com três carruagens a partir do Entroncamento, com paragem em Vila Velha de Ródão, para visitar a exposição Rails do Progresso, patente na Casa de Artes e Cultura do Tejo, seguindo o percurso até Castelo Branco, onde, depois do almoço, os participantes tinham entrada gratuita nos museus municipais e no Jardim do Paço, antes de realizarem a viagem de regresso ao Entroncamento.
Domingo, a viagem foi em tudo idêntica, exceto que a partida e a chegada foi da Estação de Santa Apolónia, em Lisboa, e devido à elevada adesão de participantes foi necessário acrescentar mais uma carruagem, passando a quatro.
De referir, que a viagem inaugural contou, entre outros, com a presença da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, para quem o turismo na Linha da Beira Baixa tem “uma grande importância”., falando num “projeto mais amplo de parceria entre municípios e a linha de caminho de ferro” e chamando a atenção para “a requalificação da Linha para fomentar o turismo e as atividades económicas”.
Ana Abrunhosa realça que deste modo “temos múltiplas dimensões, sendo uma Linha que une vários concelhos” e acrescenta que “o que nos une, hoje, é mostrar a riqueza cultural, patrimonial, deste território que é a Beira Baixa”.
Mais tarde, a membro do Governo destacou que “enquanto Portuguesa sinto-me orgulhosa e estou a dar cada vez mais importância à ferrovia, que é um meio sustentável de transportar pessoas e mercadorias”.
Por outro lado, revelou “o orgulho na recuperação das nossas carruagens”, assegurando que assim “iniciaram um movimento imparável”, sem deixar de considerar que “somos excelentes nas dificuldades”.
Ana Abrunhosa salientou também que “não tínhamos indústria ligada à ferrovia”, pelo que “todos os milhões temos que contratá-los lá fora”, concluindo que “isto não é uma estratégia quando sabemos fazê-lo. Esta é uma área em que fomos, somos e seremos bons”, pelo que “a indústria ferroviária tem que ser um desígnio. Temos que fornecer o nosso conhecimento ao resto do Mundo, com carruagens e máquinas recuperadas com as nossas mãos”.
No que respeita ao Rail Fest, Ana Abrunhosa defende que “é um exemplo de como devemos trabalhar no País, pois um município, isoladamente, não se consegue desenvolver”, alertando assim para “a importância do trabalho conjunto”.
Ana Abrunhosa referiu ainda que “este é um projeto de pontes, de trabalho em conjunto. É o que representa, sobretudo nestes territórios do Interior, em que temos tanto valor e, por vezes, demoramos a valorizá-lo”, chamando novamente e a atenção para a “visão estratégica de trabalhar em conjunto”.
O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, assegura que “as comunicações aproximam pessoas, a Linha da Beira Baixa aproxima pessoas”, não esquecendo que “durante muito tempo levou mais pessoas do que trouxe”.
Para o autarca esta é uma linha belíssima, ao lado do Rio Tejo”, sendo que estas viagens “podem promover o turismo, com um comboio com história, com carruagens com história, com uma paisagem magnífica como é a do Rio Tejo”.
Leopoldo Rodrigues acrescenta que “se pode aproveitar a Linha para visitarmos os territórios ao longo dela” e pode ajudar especificamente “a descobrir Castelo Branco, a gastronomia e outras experiências associadas ao turismo”.
Nesse âmbito avança que é objetivo da Câmara “continuar a valorizar a zona da Estação de Castelo Branco”, recordando trabalhos já feitos, como “o Parque do Barrocal e a zona da antiga Metalúrgica”, sustentando, por outro lado, que “quem chega a Castelo Branco de comboio facilmente visita a cidade, sem necessitar de utilizar carro, o que é uma vantagem”.
Leopoldo Rodrigues é da opinião que esta viagem turística na Linha da Beira Baixa “é extremamente importante” e não esconde que “não temos sabido aproveitar, como acontece na Linha do Douro”. E com base nisto e no facto de ter sido necessário acrescentar mais uma carruagem na viagem de domingo, frisa que “isso demonstra o interesse das pessoas em novas experiências. Ou seja, existe atração, é uma questão de nos sabermos entender, pois o comboio, a ferrovia, é uma maneira de nos aproximarmos (municípios) e de criar riqueza, numa perfeita conjugação com a natureza”. Tanto mais que “Castelo Branco, como as outras terras, têm muito para oferecer”, deixando o desejo e a esperança que “estas visitas se repitam muitas vezes, pois são benéficas para cada um de nós e são benéficas para a Região”.
Também para o presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira, estas viagens turísticas “são um potencial turístico que permite recordar o ambiente de inauguração da Linha da Beira Baixa”, ao mesmo tempo que destaca “a potencialidade que este meio de transporte tem, pois é sustentável, amigo do ambiente, com uma paisagem única que permite visitar o presente e perspetivar o futuro, além de ser extremamente importante trazer pessoas até ao nosso território, com entrada pelas Portas de Ródão”.
Luís Pereira avança que este aproveitamento turístico pode e deve ser feito “num ambiente mais alargado, no âmbito das comunidades intermunicipais”.
António Tavares

13/04/2022
 

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